O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 16/04/2020

Os filósofos alemães Adorno e Horkheimer criaram o conceito de “Indústria cultural”, cuja ideia está relacionada a uma padronização de valores transmitidos nos veículos de comunicação. Nesse ínterim, a atuação massiva da internet na sociedade atual resultou no surgimento de influenciadores digitais, os quais possuem grandes impactos na formação da juventude contemporânea. Dentre esses está a alienação desse público junto à perpetuação da pirataria no país.

A priori, o filósofo Friedrich Nietzche preconizou o conceito “Moral de rebanho”, em que os indivíduos, desprovidos de capacidade crítica, seguem os outros de maneira alienada. Nesse sentido, o fato de a internet possuir um grande poder de alcance proporciona aos influenciadores digitais milhares de seguidores. No entanto, há uma grande tendência da sociedade, principalmente dos jovens, em seguir determinado criador de conteúdo sem possuir uma maturidade para determinadas temáticas, as quais podem, muitas vezes, serem mal interpretadas por esse público e contribuir para uma alienação cada vez maior do meio social. Dessa maneira, por não serem criticamente formados para o meio digital, muitos jovens são facilmente levados a naturalizar discursos, pensamentos e ações negativas daqueles que acompanham nas redes sociais, o que tende a contribuir para a perpetuação de preconceitos na nação.

Ademais, segundo a plataforma digital Youpix, cerca de 48% dos jovens brasileiros realizam compras baseadas na opinião de criadores de conteúdo. Dessa maneira, muitos influenciadores tornam a internet sua área de trabalho e atuam em parceria com lojas na indicação de produtos para seu público. Entretanto, por não existir uma regulamentação adequada para a publicidade no meio virtual, muitos desses influentes divulgam mercadorias sem se certificar da qualidade, contribuíndo, muitas vezes, para a penduração de produtos falsificados na internet. Dessa forma, a falta de fiscalização da qualidade do que é divulgado na rede acaba não só por prejudicar aqueles que, mediante as indicações, realizaram alguma aquisição mas, também, perpetuam a pirataria no país.

Em suma, medidas fazem-se necessárias no combate à problemática. A princípio, o Ministério da Educação deve criar nas escolas, setor responsável pela formação crítica dos indivíduos, aulas de educação digital, com a participação de profissionais da área que instruam os jovens na construção de uma maturidade no uso da rede, para que esses sejam criticamente ativos no manuseio dessa. Somado a isso, o Estado deve junto ao CONAR - Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária - formular leis para regulamentar a publicidade no âmbito virtual, no intuito de mitigar a perpetuação de produtos falsificados na internet.