O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 17/04/2020

Na série americana “Black Mirror”, o episódio “queda livre” retrata um sociedade distópica em que os habitantes são avaliados de 0 a 5 estrelas, onde a classificação indica o quão bem sucedido será, o que ocasiona na repetição de padrões para subir ao topo da classificação.  Não diferente da ficção, os influenciadores digitais desencadeiam comportamento em seus seguidores. A partir desse contexto, é válido analisar o impacto dos influenciadores, visto que, desempenham um papel crucial na formação dos jovens conscientes e capazes de ter senso crítico.                                                                                  Segundo o conceito de “indústria cultural”, criado pelos filósofos alemães Adorno e Horkheimer, a cultura popular é semelhante a uma fábrica que produz bens culturais padronizados - filmes, programas de rádio, revistas- usados para manipular a passiva sociedade de massa. Assim sendo, os influenciadores, por meio dos veículos de comunicação , cultivam a falsa ideia de que a felicidade pode ser comprada, resultado do capitalismo. Desse modo, a rede social é uma arma para o consumismo, resultando em indivíduos alienados que querem ser iguais aos seus ídolos e são capazes de gastar até o que não têm para que isso aconteça.                                                                                                          De acordo com John Locke, o ser humano nasce como uma tábula rasa, ou seja, absolutamente sem nenhum conhecimento ou impressão, que será adquirido através da experiência. Como resultado, os jovens são moldados a pensar e agir da mesma forma, sem discernimento. Por exemplo, o hábito de acompanhar as publicações nas redes sociais dos influenciadores tem se tornado tão expressivo que, para muitos, a vida de seus ídolos se assemelha a uma novela, acompanhada pelos milhões de seguidores/fãs. Mesmo sendo usado para promover diversão e distração, o conteúdo de entretenimento é responsável por manter padrões comportamentais.                                                                                   Portanto, é evidente que os influenciadores digitais têm poder de persuadir e modificar o comportamento dos jovens. Por isso, é dever dos pais e familiares verificarem o conteúdo dos vídeos assistidos nas plataformas onlines e alertar os filhos sobre a manipulação que existe na mídia para transformar a arte em mercadoria e estimular o consumo por meio da alienação das massas. Além disso, cabe também a escola proporcionar educação para a formação de cidadãos com bom senso crítico. Assim sendo, os jovens vão desenvolver uma inteligência emocional que ajude a fazer julgamentos criteriosos, longe da “indústria cultural”.