O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 17/04/2020
No livro “Dom Quixote”, do escritor Miguel de Cervantes, é retratada a trajetória de um indivíduo que, de tanto consumir obras medievais, é influenciado por elas a achar que se tornou um Cavaleiro Templário. Embora essa obra seja antiga, percebe-se que o fenômeno das influências sociais, relacionado à formação individual, está presente desde o processo educativo da Idade Média, por isso, vale discutir o fator psicológico dos influenciadores da juventude na geração atual, bem como o impacto econômico de tal realidade.
Primeiramente, cabe analisar o conceito de psicologia das massas para entender o processo de influência digital na formação da juventude. Nesse sentido, a Teoria da Identidade Social, categorizada pelo psicólogo Henri Tajfel, afirma que o comportamento dos indivíduos se relaciona com os contatos sociais, isto é, a identidade é formada pela coletividade. Com base nesse viés, nota-se que, com o surgimento dos influenciadores contemporâneos, os jovens começaram a se identificar com os grupos existentes na sociedade e consumir o que eles produzem, que muitas vezes, infelizmente, há um consumo exacerbado e irracional. Prova disso, o blog oficial do Google informou que 70% dos “teenagers” (jovens) são coagidos, psicologicamente, a comprarem produtos recomendados pelos influentes digitais que eles mais se identificam, ou seja, só utilizam se o “mentor digital” indicar.
Ademais, vale pontuar o efeito econômico nesse contexto. Com essa conjuntura, a pesquisa feita pela Companhia McKinsey afirmou que mais de 40% dos jovens consideram a opinião de influenciadores no momento da decisão de compra dos produtos. Tal afirmação revela, de forma clara, que a aquisição de novas mercadorias depende da recomendação dos “mentores”, a qual, em muitos casos, não é segura e nem confiável. Dessa forma, como “as relações de compra e venda movem uma nação”, afirmou o economista Adam Smith, pode-se dizer que essa influência constitui um impacto considerável nos contatos mercadológicos de uma sociedade.
Nota-se, portanto, a urgência em propor medidas para resolver tais impasses. Para tanto, urge que o Ministério da Cidadania crie um programa chamado “Influencer cidadão”, por meio de 20% das verbas destinadas a tal Ministério, que contrate os maiores influenciadores digitais para expor os riscos do consumo irracional, a fim de que não haja um fenômeno consumista generalizado dentre a juventude. Outrossim, o Ministério da Economia deve incentivar os jovens, por intermédio da contratação de psicólogos e administradores, a desenvolverem uma mentalidade crítica em relação aos produtos consumidos, a fim de que, diferentemente de D. Quixote, não sejam manipulados pelas influências sociais da época, como, no caso, são as opiniões dos “mentores digitais”.