O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 10/04/2020

Segundo o filósofo brasileiro Mário Sérgio Cortella, os desafios contemporâneos não são oriundos das novas mudanças, mas sim da velocidade com que se sucederam. Essa máxima exposta pelo estudioso diz respeito aos impactos possíveis das inovações frenéticas do século XXI, exibidas pelas tecnologias, especialmente, digitais. Desse contexto, associa-se à engrenagem digital suas influências na formação moral coletiva dos jovens e, em contrapartida, a sua alienação em massa.

A princípio, é preciso considerar a capacidade moralizante a qual as influências digitais estabelecem no corpo juvenil. Isso acontece, pois essas novas tecnologias trazem à prática da “mortificação do eu”, fenômeno pronunciado pelo cientista Erving Goffman. Ou seja, por meio da coibição social propagada digitalmente, o pensamento individual dos jovens passa a associar-se ao coletivo de forma a reprimir ou mortificar ações imorais convencionadas pela cultura social e, de forma mais ampla, global. Dessa forma, como influência positiva dos impactos causados pelas novidades científicas no âmbito digital, pressupõe-se a necessidade do aprimoramento dessa concepção por meio da coordenação de métodos inteligentes que formem, dentro da sociedade, jovens mais agregados eticamente.

Em contrapartida a isso, as influências digitais também dispõe da alienação em massa dos jovens brasileiros. Isso ocorre, pois tais tecnologias submetem a camada juvenil ao fenômeno modeno que o sociólogo Michel Foucault denominou de “docilização dos corpos”, isto é, o procedido aperfeiçoamento em massa dessa população por meio da comunicação, atribuída por anúncios, propagandas e campanhas, por exemplo, de forma a se extrair tudo aquilo que a nova ideologia capitalista predispõe como normativo ao indivíduo: produção, consumo e estetização exacerbada. Nesse sentido, na ausência do incentivo educativo e crítico, grande parte dos jovens do Brasil se tornam passivos e obedientes de sua realidade, seja ela qual for. Dessa forma, a sociedade deve ser adaptar as novas tendências de forma regular as necessidades dessa faixa etária por meio do conciliamento entre a educação e as influências digitais trazidas pelo atual século XXI.

Em virtude do que foi mencionado, entende-se que as influências digitais impactam a vida de grande parte da população jovem, seja de forma positiva ou negativa. Nesse sentido, a mídia deve buscar alertar essa camada social acerca dos limites críticos necessários ao se utilizar as plataformas. Para isso, mensagens com advertências devem ser transmitidas em redes sociais com maior ênfase em anúncios e propagandas. Além disso, instituições educativas, como universidades devem buscar aprimorar a percepção de discernimento  as quais estimulem a reflexão moral acerca dos padrões digitais e socais, por meio de palestras científicas e debates que reconsiderem algumas influências.