O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 15/04/2020

‘‘Meus ídolos morreram de overdose". Assim começa uma estrofe da música ‘Ideologia’’ de Cazuza. Apesar dessa expressão artística ter sido lançada no século passado, nota-se que, ainda hoje, os jovens são demasiadamente influenciados por seus respectivos “ídolos”. Esses, com o passar do tempo, assumiram o papel de formadores de opinião da era digital, chamados de ‘‘digital influencers’’. Sob essa perspectiva, é válido discutir a importância dessa função, assim como seus efeitos na sociedade.

A priori, é preciso destacar que a reprodução de comportamentos socialmente aceitos é algo presente na história da humanidade. Tal fato pode ser exemplificado com o período da ‘‘Belle Époque’’, no qual todos os países simulavam o estilo de vida das classes dominantes europeias. Essa conduta não é diferente da observada nas plataformas digitais, nas quais crianças, jovens e adolescentes são, constantemente, bombardeados com informações e, muitas delas, através de youtubers e blogueiros. Esses são responsáveis por disseminar conteúdos que chamem atenção do público e o estimule a repercutir ideias e ações. Dessa forma, é notório que tais influenciadores podem conduzir a uma padronização de pensamentos e a quase extinção da criticidade entre seus seguidores.

Ademais, vale ressaltar que a influência desses criadores de conteúdos digitais pode ser positiva ou negativa. Tal fato é comprovado em um ranking divulgado pelo Youtube, o qual mostra que o canal mais visto é o de Lucas Neto. Essa figura pública, realiza brincadeiras , mas também estimula que crianças tenham o mesmo tipo de comportamento, alienando-as. Em contraponto, canais como Luana Carolina e Lucas Felpi estimulam seus seguidores a estudar, organizar a rotina e ter dias produtivos. Com isso, observa-se que há uma gama de conteúdos disponíveis e cabe ao internauta ter maturidade para selecionar com atenção e cuidado.

Portanto, é preciso atentar para a interferência exercida pelos influenciadores digitais nos jovens e, consequentemente, na sociedade. É necessário que o MEC inclua uma disciplina de ‘’educação digital’’  na Base Curricular. Com tal medida, os internautas saberão das implicações de suas escolhas. Nessa nova matéria, professores e responsáveis pelos alunos trabalharão em conjunto, realizando atividades para desenvolver a criticidade nos mais novos, como intensificar a interpretação e leitura, tanto nos centros educacionais como nos lares. Assim, quando eles forem navegar na internet, terão acesso a diversos conteúdos, mas saberão filtrar os que são produtivos e não terão suas atitudes moldadas. Com essa ação, não verão seus ‘‘ídolos morrerem de overdose’’ e poderão seguir suas próprias ideologias.