O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 15/04/2020
Segundo o médico criador da psicanálise, Freud, um indivíduo, ao ser inserido em um grupo específico, tende a suprimir suas peculiaridades para assumir as características predominantes no ambiente em que se encontra. Dessa maneira, a tendência na contemporaneidade, é que o jovem cada vez mais queira comportar-se como os influenciadores digitais, tendo em vista que eles têm efeito direto nas decisões dessa parcela da população. Sendo assim, a alienação quanto ao estilo de vida, bem como a manipulação dos jovens são aspectos que precisam ser analisados.
A princípio, para o sociólogo Manuel Carteles, o advento da “Era da Informação” significou uma mudança nas relações de poder, enquanto na “Era Industrial”, o cenário era regulado pela posse dos meios de produção. Desse modo, o influenciador digital, por deter posse do meio de informação, possui a capacidade de alienar o jovem e transmitir a ideia de que a vida que leva é perfeita e que, para conseguir a felicidade máxima, é necessário que todos se igualem a ele. Nesse ínterim, a teoria de Focault diz que o ser humano é um “corpo dócil” à medida que pode ser submetido, utilizado e transformado. Dessa forma, o jovem assume essa postura quando é moldado pelos influenciadores digitais a práticas que o levem à alienação, causando assim, um impacto negativo na sua formação.
Outrossim, de acordo com o pensamento de Pierre Bourdieu, aquilo que foi criado para ser um instrumento de democracia não deve ser convertido em uma ferramenta de manipulação. Desse modo, ao se aproveitar as redes sociais, que são locais onde hoje a democracia é posta em prática constantemente devido à grande liberdade de expressão e de escolha que é ofertada, boa parte dos influenciadores digitais usam da manipulação de jovens para alcançarem a fama e o sucesso pessoal, e se esquecem de trabalhar a empatia com aqueles que os acompanham, de modo que agem apenas pensando em engordar a conta bancária, ao invés de trabalhar com responsabilidade em prol da evolução da sociedade.
Torna-se evidente, portanto, que como forma de diminuir os impactos causados na formação dos jovens, faz-se necessário que Mídia e Família atuem em protocooperação. É dever da imprensa socialmente engajada atuar com responsabilidade, de modo a não só pensar no próprio retorno financeiro, mas sim incentivar o uso e escolha de marcas e produtos confiáveis, abordar questões de importância mundial e mostrar modos de vidas alternativos que se adequem à realidade dos jovens. Além disso, cabe à Família ensinar desde cedo a importância de valorizar o que se tem, para que, no futuro, o jovem não se aliene e queira abraçar uma realidade que não lhe pertence. Dessa forma, chegar-se-á em um cenário de poucos impactos na formação dos jovens no Brasil.