O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 10/04/2020
No episódio “Ashley”, da série Black Mirror, produzida pela Netflix, a protagonista, após ver o anúncio do lançamento de uma boneca-robô por sua cantora preferida, Ashley, não hesita em pedir ao pai o produto como presente de aniversário. Fora da ficção, da mesma forma que Ashley, inúmeros influenciadores usam suas redes sociais para divulgar produtos, tendências de moda e de comportamento. Essa realidade tornou possível a identificação por diferentes perfis de pessoas. No entanto, também pode causar graves impactos na formação dos jovens, sobretudo no Brasil, como a criação de adultos depressivos e manipuláveis.
É válido discutir, inicialmente, que um dos principais impactos na formação dos jovens é a depressão. Isso ocorre porque, na internet, uma vida de fama, dinheiro, produtos de marca e viagens constantes tornou-se um padrão a ser atingido. No entanto, como muitas pessoas não possuem e nem conseguem ter o mesmo estilo de vida, a falta de representatividade cria uma sensação de exclusão e, consequentemente, leva à depressão. Essa conjuntura torna-se ainda mais perigosa, visto que, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o Brasil já possui uma das maiores taxas de depressão do mundo e que tem crescido progressivamente na população jovem.
Ademais, outro impacto dos influenciadores na formação dos jovens é o desenvolvimento de adultos sem senso crítico e, por isso, manipuláveis. Esse fato corrobora o pensamento do filósofo alemão Nietzsche sobre a moral de rebanho, no qual afirma que as pessoas, diante de sistemas de poder, tendem a assumir um comportamento submisso e irrefletido. Na realidade em questão, tais sistemas correspondem à influência das personalidades digitais e o rebanho corresponde aos jovens seguidores que sentem a necessidade de copiar comportamentos e/ou de comprar produtos anunciados pelos “digital influencers” preferidos, por exemplo, não refletindo se corresponde à própria personalidade ou se é, de fato, algo imprescindível naquele momento.
É necessário, portanto, medidas que modifiquem essa realidade. Para isso, é papel da família, como elemento essencial do processo formativo e educacional do indivíduo, estabelecer diálogos abertos com o jovem, a fim de fazê-lo compreender que a realidade mostrada na internet não tem apenas aspectos bons e que envolve muito “marketing” por trás das câmeras. Aliado a isso, instituições educacionais, como escolas e faculdades, deverão pôr em suas grades curriculares aulas que despertem o senso crítico do jovem, para que ele não seja manipulado a consumir todo e qualquer produto divulgado nas redes. Dessa maneira, a juventude brasileira estará mais preparada diante das “tentações” da rede e não mais adotará uma postura de rebanho, como a personagem de Black Mirror.