O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 13/04/2020

De acordo com o filósofo Michel Foucault, um “corpo dócil” é aquele que pode ser aperfeiçoado, adaptado, transformado. Nesse sentido, o influenciador digital, na atualidade, pode ser visto como um manipulador social, tanto para o bem quanto para o mal. Nessa perspectiva, os “influencers”, como principais mediadores das informações nos dias atuais, podem moldar os jovens de modo que eles se tornem mais consumistas, mas também podem influenciar um propósito positivo em prol da sociedade.

Em primeira análise, é importante frisar que vivemos em meio a uma sociedade seletiva, em que é necessário “ter” para pertencer. Nesse sentido, os influenciadores digitais, como importantes fontes de informações, aguçam, algumas vezes, esse sentimento de pertencimento e consumismo nos mais jovens, de forma que este, acríticamente, molda-se ao estilo de vida proposto, sem refletir nos impactos negativos do consumo exacerbado. Isso pode ser comprovado pelo filósofo Francês Gilles Lipovetsky, o qual afirma que “o consumo é uma forma de terapia”, ou seja, os “influencers” influenciam os jovens a consumirem, muitas vezes, produtos de cunho efêmeros que promovam uma sensação de pseudofelicidade e aceitação social. Visto isso, percebe-se a necessidade de se incentivar um pensamento mais crítico aos sujeitos dessa faixa etária, podendo ser feito por intermédio da educação.

Em segunda análise, vale salientar que nem todos os influenciadores digitais tem influência negativa sobre os jovens. Prova disso é o biólogo e pesquisador Atila Iamarino que tem, na atualidade, contribuído de forma muito positiva com informações e dados sobre o Covid-19, de modo a fazer os indivíduos refletirem sobre essa enfermidade e ainda, de forma lúdica, aprender um pouco da biologia. Nesse sentido, é possível notar que os “digitais influencers” podem incentivar um senso crítico e reflexivo nos sujeitos, de formam que estes “escapem” da bolha social negativa proposta por muitos outros que só visam fama e dinheiro. Visto isso, percebe-se que o Governo pode financiar alguns influenciadores com intuito de que eles possam transpor informações relevantes para os jovens.

Portanto, com o objetivo de melhorar e evitar comportamentos negativos dos mais jovens pelos influenciadores digitais, o MEC pode investir recursos financeiros numa educação pautada no senso crítico, que faça os estudantes refletirem para além dos conteúdos abstratos, a começar pela formação dos futuros docentes nas Universidades. Outrossim, o Estado pode investir capital e criar um projeto intitulado “desmistificando a sociedade”, junto com alguns influenciadores, de modo que estes possam transpor ao seguidores assuntos que agreguem valor intelectual, com alguns debates por meio das plataformas digitais sobre as principais mazelas socais que acometem a população atualmente. Desse modo, a “docilização” dos indivíduos pelos influenciadores digitais será atenuada.