O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 13/04/2020
Para a escritora Clarice Lispector, quando não somos formados de maneira inteligente viramos sonsos essenciais ao sistema. Sob essa ótica, os influenciadores digitais surgem, na contemporaneidade, com grande poder de persuasão sobre os jovens, podendo contribuir com a formação e a evolução social. No entanto, muitos desses profissionais têm disseminado padrões de uma vida “perfeita” e impactado negativamente a formação do caráter social, por visar, apenas, o aumento dos seus “seguidores”.
Em primeira análise, a criação de uma falsa ideia de felicidade é um dos impactos dos “influencers” na formação dos jovens. Essa realidade é justificada pois, de acordo com os filósofos Adorno e Horkheimer, a Indústria cultural bombardeia, diariamente, a população com repetições de padrões, afim de formar uma consciência massificada voltada para o consumismo. Nesse viés, os influenciadores surgem como um mecanismo que potencializa essa manipulação, através da disseminação de ideias que valorizam o ter em detrimento do ser. Consequentemente, tais atitudes impactam negativamente na formação dos jovens, visto que eles crescem em busca de possuir os produtos utilizados por esses “influencers” e se enquadrar aos tais padrões determinados. Como prova desse cenário, a partir de dados do site “Metropoles”, soube-se que em 2018 foi criado um mercado de 1,7 bilhões de doláres em cima de posts de influeciadores patrocinados por marcas no Instagram.
Outrossim, a formação do caráter dos jovens, também, pode ser impactada negativamente pelos influenciadores digitais. Esse fato decorre pois, segundo o pedagogo Paulo Freire, há a execução de uma educação “bancária”, nos âmbitos educacionais; isto é, que apenas depositam conhecimento teórico, sem nenhum processo de conscientização e filtração acerca das diversas informações preconceituosas a que os jovens são submetidos no meio digital. Nesse sentido, atitudes racistas, como a do “youtuber” Júlio Cocielo contra o jogador francês Mbappé, são absorvidas e reproduzidas, inconscientemente, na sociedade.
Portanto, são notórios os muitos impactos negativos dos influenciadores digitais na formação dos jovens. Dessa forma, é necessário que o MEC, a partir de projetos de lei, garanta a execução de uma educação freiriana nos âmbitos escolares e, também, promova palestras para os responsáveis dos alunos, a fim de os orientar sobre as melhores maneiras de conduzir seus filhos no meio digital. Tudo isso, com o propósito de formar cidadãos conscientes frente ao bombardeamento de padrões pelos influenciadores e críticos quando se depararem com casos que disseminem qualquer forma de preconceito. Desse modo, os jovens não serão formados para serem marionetes do sistema, como citado por Clarice.