O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 13/04/2020
No filme “O círculo”,Mae é uma funcionária de uma empresa de tecnologia que,para propagar a marca para qual trabalha,expõe sua vida nas redes sociais. Nesse contexto,suas atitudes,opiniões e hábitos passam a influenciar milhares de pessoas que a acompanham. Observa-se,atualmente,que essa ficção não está muito distante da realidade,uma vez que a profissão de influenciador digital encontra-se em crescimento e destaque,além de impactar diretamente a vida social,principalmente a formação dos jovens,com a padronização desse grupo e o incentivo ao consumismo.
Primeiramente,é necessário destacar que os “influencers”,por meio da imposição de comportamentos e opiniões,são responsáveis pela perda da individualidade dos jovens. Esse fato exemplifica a teoria de “moral de rebanho” do filósofo Nietzsche,de acordo com a qual os sujeitos,ao não desenvolverem a capacidade de compreensão e análise,passam,inconscientemente,a repetir práticas. Dessa maneira,esses indivíduos,por não possuírem um senso crítico formado e estarem,constantemente,em busca de aceitação e enquadramento social,adotam os hábitos da massa. Tais ações,propagadas e ditadas pelos influenciadores digitais,dificultam a plena construção crítica desse grupo que,moldado e padronizado pela mídia,abre mão de sua identidade e segue os ideais dominantes.
Ademais,é importante citar que os jovens estão em um período de desenvolvimento e formação do caráter,sendo,portanto,submetidos à interferência do meio em que se encontram. Nesse sentido,os criadores de conteúdos digitais,como agentes diretos nesse processo,utilizam de maneira irresponsável seu poder de influenciar,já que,em busca do lucro,tornam-se ferramentas do mercado ao propagarem comportamentos consumistas. Tal fato relaciona-se com as ideias do educador Mário Sérgio Cortella,segundo o qual observa-se,hoje,a mídia como um novo corpo docente,ou seja,os pais,ao não participarem efetivamente da educação dos filhos,passam a terceirizá-la para a mídia. Nesse contexto,os influenciadores,valendo-se da padronização dos jovens e de suas visibilidades,agem na construção de novas necessidades pelo incentivo à compra exagerada de produtos. Dessa forma,essa difusão de um estilo de vida ilusório,que relaciona a felicidade aos bens materiais e ao reconhecimento social,contribui para a disseminação de práticas individualistas e consumistas.
Logo,para minimizar o impacto dos influenciadores na vida dos jovens,a escola,principal órgão responsável pela formação desse grupo,deve promover a construção do senso crítico. Isso pode ser feito por meio da educação digital que ensine a análise e compreensão das informações transmitidas na rede,além da identificação e superação das influências do mercado,visando à formação de indivíduos conscientes e capazes de expressar suas singularidades.