O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 15/04/2020

Adorno e Horkheimer, filósofos alemães, criaram o conceito de “Indústria Cultural”, cuja ideia está relacionada a uma padronização dos valores transmitidos nos veículos de comunicação. Nesse sentido, no contexto atual, estão inseridos os influenciadores digitais — produtores de conteúdos para redes sociais, tais como o YouTube, Instagram e Facebook —, que possuem milhares de seguidores, compostos predominantemente por um público-alvo juvenil. Assim, é importante analisar os impactos desses influenciadores na formação dos jovens, uma vez que criam a ilusão de que existe vida perfeita e estimulam o consumismo exacerbado.

Em primeira instância, tem-se o fato de que uma das redes sociais que mais concentra influenciadores digitais, o Instagram, é líder em causar autoestima baixa e depressão — conforme os estudos da Humboldt University de Berlim. Isso acontece porque esse veículo cria a falsa impressão de que o outro tem uma vida incrível, sem problemas e é feliz o tempo inteiro. Os influenciadores do campo digital, por exemplo, costumam postar fotos ao sorrir em viagens, compartilham seu dia com muita alegria e quase nunca compartilham sobre seus dias ruins. Essas atitudes dessas pessoas tão influentes criam, quase que instantaneamente, uma comparação social imediata, que por sua vez desencadeia sentimentos de insuficiência, inferioridade e tristeza  na vida dos jovens que os acompanham — justamente por pensarem que apenas as vidas deles são imperfeitas.

Em segunda instância, é válido mencionar que esse meio digital instiga bastante a prática consumista. De acordo com pesquisas realizadas pela QualiBest, influenciadores digitais estão em segundo lugar quando se trata do poder de influenciar uma compra. Nesse sentido, as empresas, cientes da força dos influenciadores digitais, investem cada vez mais neles para divulgarem os seus produtos, visto que possuem grande alcance do público e conseguem moldar comportamentos ao se aproximar dos seguidores de uma forma mais natural e efetiva. Dessa maneira, as pessoas que acompanham esses “influencers” sentem-se seduzidas pelos produtos que eles divulgam e são incentivadas a comprá-los, mesmo que não seja necessário.

Destarte, é nítido que os influenciadores digitais inspiram o comportamento do jovens. Logo, os pais precisam mostrar aos filhos que nem tudo veiculado nas redes sociais é real. Também cabe aos pais e responsáveis verificarem, com certa constância, os conteúdos assistidos nas plataformas onlines e,  posteriormente, alertarem os filhos sobre o objetivo midiático para transformar a arte em mercadoria e estimular o consumo por meio da alienação das massas. Espera-se com isso desenvolver nos jovens uma maturidade que permita fazer escolhas e julgamentos criteriosos, afastados da “Indústria Cultural”.