O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 12/04/2020
Desde o século XX, filósofos da Escola de Frankfurt, como Adorno e Horkheimer, já expressavam uma crítica à razão controladora industrial que influencia decisões e massifica o pensamento. Na atual sociedade, essa concepção se encontra ainda mais consolidada com as inovações tecnológicas e as novas dinâmicas midiáticas que se utilizam de influenciadores digitais para vender um produto. Nesse contexto, jovens são induzidos a comprar algo para se incluírem no meio social, negando, assim suas próprias identidades e, contribuindo, para uma padronização do pensamento.
Inicialmente, cabe-se a análise do pensamento mercantil por trás da propaganda em influenciadores digitais e seu impacto sobre a criticidade do indivíduo. Segundo a filósofa Marilena Chauí, a mídia é perpassada por interesses econômicos e utiliza de formas sedutoras para atingir seu objetivo de lucro. Nesse sentido, ela usa o apelo à intimidade e à personalidade encontrados em famosos do meio digital para chegar até o consumidor. Essa via, também, é alicerçada no entretenimento proporcionado por essas figuras, de modo que o indivíduo recebe a informação sem maiores questionamentos e, consequentemente, é alienado. Em suma, há um enfraquecimento do poder argumentativo da população e a influência de determinados comportamentos.
Ademais, essa indução do pensamento traduz-se em uma necessidade de inclusão social por intermédio de adesão a marcas e produtos. Tal situação é explicada pelo sociólogo Émile Durkheim quando ele diz que um Fato Social atua como um fator coercitivo, determinando formas de agir, assim, jovens são, naturalmente, levados a comprar objetos devido a propagandas dos influenciadores digitais (de acordo com pesquisa da Youpix, 48% dos jovens compram graças a impressões de criadores de conteúdos). Em virtude desse comportamento, o indivíduo perde a sua própria identidade e personalidade a fim de obter uma aceitação social. Esse processo já foi explicitado por Carlos Drummond de Andrade em seu poema “Eu, Etiqueta” quando ele diz: “fazem de mim homem-anúncio, escravo da matéria anunciada”. Logo, esses fatores sociais e mercantis levam o jovem a ser influenciado e, posteriormente, a ter uma conduta padronizada.
Portanto, é importante que o Ministério da Educação (MEC) insira nas aulas de filosofia e sociologia, debates sobre a influência de personalidades famosas e deve utilizar-se de canais de “youtubers” a fim estabelecer referências e construir um processo mais lúdico e, assim, viabilizar a conscientização dos jovens. Além disso, as plataformas virtuais devem classificar os conteúdos em vídeos com presença ou não de propagandas para haver uma distinção pela população, dessa forma, será possível diminuir a alienação, bem como o aspecto controlador da indústria midiática.