O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 13/04/2020

Em “1984” romance distópico de George Orwell,  a população é controlada por um sistema de manipulação de informações que, por meio da figura autoritária do “Grande Irmão”, vigia e puni todos que apresentem pensamento ou opiniões divergentes das defendidas pelo governo. De maneira análoga, na sociedade contemporânea, com o crescente alcance das mídias sociais, surgiram milhares de influenciadores digitais que lucram através da indução de jovens para que esses sigam nos parâmetros de consumo e opinião cordenados por eles. Dessa forma, os jovens têm sua formação direcionada para um controle de opinião de massa e um ideal de consumo irresponsável travestido de liberdade de escolha.

Em primeiro lugar, a influência constante de jovens por determinados formadores de opinião pode gerar uma bolha virtual, ambiente onde só é permitido um tipo de opinião e as informações são direcionadas para corroborar com os ideais ali compartilhados. Essa forma de manipulação é , segundo a Escola de Frankfurt, muito usada para o controle de massas por apresentar uma falsa sensação de liberdade para as vítimas. Assim, a presença cada vez maior de pessoas formadoras de opinião na internet pode afetar negativamente a formação dos jovens e promover uma reconstrução da identidade desse indíviduo para que ele se adeque ao padrão de pensamento proposto, seja tolerante apenas à posicionamentos convergentes e se torne parte de uma bolha que terceiriza opiniões e posicionamento políticos inconscientemente e não tem a liberdade de formação e escolha individual e autônoma.

Em segundo lugar, o sistema publicitário foi completamente remodelado com o advento das redes sociais e dos formadores de opinião. Dessa maneira, a presença constante de propagandas nas mídias de influenciadores digitais não apenas malipulam jovens a aderir determinados padrões de consumo como glamuriza uma concepção de satisfação e estatos baseados na posse de certos produtos. Tais fatos, convergem com as ideias do sociólogo Bauman que expõe o consumismo como um pilar do processo de modernização liquida no qual a lógica do consumo sobrepõe a lógica da moral. Assim, influenciadores digitais, através da exposição de luxos e privilégios oferecidos por marcas e produtos, alimentam o consumismo como padrão de vida ideal para o jovem em um processo de desconstrução da identidade social e formação de um consumidor de massa, sem opiniões ou vontades próprias.

Portanto, é dever das mídias sociais conscientizar os jovens internautas sobre o poder da influência e propaganda e a importância da fromação de opiniões individuais, através da sinalização de conteúdos publicitários e com alertas sobre postagens manipuladoras, limitando seu alcance e oferecendo sempre conteúdos com posicionamentos divergentes, para evitar a anulação da identidade do jovem.