O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 16/04/2020
Sabe-se que nas histórias infantis, príncipes e princesas vivem uma lógica idealizada de vida perfeita dos sonhos. Fora do viés literário, isso pode fazer uma notória analogia aos impactos dos influenciadores digitais na formação dos jovens devido à ideia propagada da existência de uma “perfeição real”, que na prática não existe. Essa é uma problemática que ainda não foi atenuada por causa da ineficácia do setor estatal, aliado à carência de uma construção crítica e social do homem.
A priori, é possível afirmar que o filósofo polonês, Zigmunt Bauman, abordou a concepção de “modernidade líquida”, ou seja, a superficialidade das relações humanas à proporção que dá-se maior importância ao ter -relacionado ao dinheiro e status-, em detrimento do ser social, o que é preocupante. Isso sem dúvidas pode fazer referência aos impactos causados nos indivíduos tido como “normais”, em relação às propagandas das falsas ideias de vivências difundidas pelos blogueiros. Estes induzem mudanças comportamentais, influenciando até na decisão de compra dos “anônimos”. Tal fator pode ser comprovado por meio dos dados divulgados pelo portal de notícias “Consumidor Moderno”, ao afirmar que 90% dos jovens entre 18 e 24 anos já foram influenciados pelos digitais influencers. Nessa concepção é extremamente importante que o indivíduo tenha uma boa construção crítica e social a fim de optar por escolhas conscientes e ter a percepção que a “vida dos sonhos” só existe no mundo irreal.
Além dessas análises, é possível afirmar que o Estado é uma instituição social de caráter normativo que tem o dever de garantir os direitos básicos dos homens -conforme previsto na Constituição Federal de 1988-, dentre eles, o livre direito de escolha. Nesse aspecto, é essencial que haja fiscalizações do poder público sobre as matérias e propagandas realizadas pelos influencers, a fim de se evitar a difusão de fake news, bem como uma persuasão exacerbada de ideias que interfiram no comportamento racional do cidadão. Assim, é importante que exista um tipo de “filtro” que corrobore o fato de os jovens não serem tratados como “fantoches”, ou seja, facilmente manipulados pela “massa”. Isso precisa acontecer de forma gradativa e de maneira bastante eficiente.
Assim sendo,a fim de diminuir os impactos -da propagação de uma “vida de conto de fadas” e difusão de inverdades pelos influenciadores digitais- na formação dos jovens, é preciso que o setor normativo invista em mecanismos digitais que certifiquem as veracidade das ideias propagadas por esses profissionais. Isso pode acontecer por meio do uso de algorítimos que podem mapear tal questão e se for o caso, encontrar inconsistências que comprovem a “fake news” propagada. Além disso,a fim de diminuir a “moderninadade liquida”, abordada por Bauman e melhorar a criticidade social do indivíduo, pode-se investir em debates virtuais que abordem o poder de “persuasão” da massa pela era digital.