O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 14/04/2020

Segundo a plataforma digital Youpix, 90% dos indivíduos entre 18 e 34 anos foram influenciados a comprarem algum produto que foi divulgado por alguém nas redes sociais. Esse dado reflete o poder dos chamados “influenciadores digitais”, ou seja, pessoas que utilizam suas redes sociais para fazerem parcerias pagas com empresas a fim de influenciarem seus seguidores a comprarem o produto anunciado. No entanto, essa influência, muitas vezes, colabora para a formação de jovens cada vez mais consumistas, por não possuírem uma educação familiar e escolar que combatam isso.

A princípio, de acordo com o filósofo Mário Sérgio Cortella, a família terceiriza a educação do indivíduo para a mídia. Dessa forma, a falta de uma formação educacional realizada no ambiente familiar contribui com o aumento do poder do órgão midiático sobre o jovem brasileiro. Essa educação feita pelos meios de comunicação, muitas vezes, colabora com a manutenção e o aumento de problemas sociais, como o consumismo exagerado, advindo de um capitalismo alienador. Nesse contexto, as redes sociais, por inserirem grande parte dos jovens brasileiros, são um dos principais meios para formação dessas ideologias consumistas, sendo os influenciadores digitais instrumentos para o fomento dessa patologia. Pois, estes influentes, por divulgarem, constantemente, produtos em suas redes e possuírem o papel junto às empresas de persuadirem o maior número de pessoas para a compra, criam um ambiente favorável à mercantilização da sua própria personalidade.

Além disso, segundo o filósofo Foucault, existem poderes na sociedade que disciplinam os indivíduos direcionando os seus comportamentos, tornando-os “dóceis”. A partir disso, percebe-se que uma dessas forças de disciplinarização são as redes sociais, movidas por ideais capitalistas de poder e manipulação, utilizam os influenciadores digitais para disseminarem conteúdos “carregados” de um direcionamento do modo ideal de vida que uma pessoa precisa ter, como a necessidade de adquirir muitos produtos para estar inserido na sociedade. Isso contribui para um dos ideias mais propagados na pós-modernidade: o “ter” sendo superior ao “ser”, ou seja, aquilo que a pessoa compra é mais importante do que o seu caráter, por exemplo. Por isso, as escolas devem formar jovens críticos que pensem a sua “docialização” realizada por essas influências dos meios de comunicação.

Portanto, para que o consumismo exagerado causado pelos influenciadores digitais diminua, é necessário que as escolas conscientizem os pais e alunos acerca dos perigos desses influentes para o aumento do consumo de produtos no país. Isso deve ser feito por meio de debates e palestras, com a ajuda de sociólogos, por possuírem maior autoridade para falarem nas novas relações sociais instauradas. Assim, o Brasil poderá vir a ter jovens menos “dóceis” e mais críticos na sociedade.