O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 16/04/2020
O advento da revolução técnico-científico-informacional promoveu o crescimento de meios de comunicação instantâneos como a internet, impulsionando seu uso, cada vez mais comum, no dia a dia para a realização de variadas tarefas e disseminação da informação. Nesse contexto, o conceito de “influenciador digital” surge para caracterizar personalidades que se destacam nas plataformas online, acumulando milhares de seguidores de seus conteúdos. Dessa forma, o uso da visibilidade virtual como ferramenta de formação de comportamentos e padrões consumistas se evidencia como impacto do acentuado uso dos meios digitais pelos jovens brasileiros.
Em primeira análise, é possível notar, em grande parte dos influenciadores digitais, a atribuição de um modelo de vida “ideal”, pautado ,sobretudo, em comportamentos consumistas. Nessa óptica, segundo os sociólogos Adorno e Horkheimer, há, na sociedade, uma “indústria cultural” a qual formula uma cultura de massa capaz de monopolizar e alienar os indivíduos aos princípios consumistas impostos. A partir disso, é possível associar o uso dos influenciadores por meio de empresas variadas para publicidade como parte do fenômeno da imposição de padrões que beneficiam os poderes capitalistas da atualidade. Desse modo, os espectadores de tais personalidades, sobretudo os jovens, se tornam cada vez mais manipuláveis, ou seja, têm sua capacidade crítica reduzida diante do bombardeio de incentivos comerciais e comportamentais. Nessa perspectiva, a construção psicossocial dos jovens pode ser direcionada a uma lógica consumista inconsciente prejudicial para o exercício da cidadania. Em segunda análise, De acordo com o pensador Guy Debord, na atualidade, as relações sociais, da política à religião, estão mercantilizadas e envolvidas pela manipulação de imagens na chamada “sociedade do espetáculo”. Partindo desse pressuposto, a existência de figuras de admiração e modelo, presente na composição dos influenciadores digitais, pode ser entendida como forte instrumento de mobilização e construção de ideologias no campo da política e do pensamento. Dessa forma, as personalidades virtuais podem atuar como impulsionadoras de atitudes, de modo a interferir na formação dos jovens em diversas áreas, podendo um incentivar desde posicionamentos políticos a mobilizações coletivas em prol de causas humanitárias.
Diante do poder de influência da visibilidade virtual e de sua capacidade manipuladora, é necessário, portanto, que as escolas instiguem, em seus alunos, a criticidade frente a mídia e seus símbolos apelativos mais variados. Desse modo, por meio da análise e discussão em aulas e debates, as quais envolvam a interação entre os estudantes e o professor a respeito das ferramentas de controle social midiática no dia a dia do jovem, será possível formar cidadãos conscientes e menos manipuláveis.