O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 16/04/2020
Os mecanismos de propaganda vêm se adequando à realidade social vigente e hoje, com o crescimento exponencial da internet e com a sua crescente difusão entre os jovens, encontraram, nos chamados influenciadores digitais, meios propícios para o seu êxito. Porém, segundo pesquisa do IBOPE, mais da metade dos jovens entre 16 e 24 anos segue essas personalidades da internet e isso traz impactos profundos na formação desse público, como a construção de personalidades consumistas e o aumento dos casos de depressão.
Primeiramente, o livro “Admirável Mundo Novo” de Aldos Huxley retrata uma sociedade alienada e satisfeita com a felicidade materialista, condicionada, desde a infância, ao consumismo -responsável pela manutenção da ordem social- por meio de tratamento durante o sono. Saindo dos tablados da ficção, no Brasil, a “hipnopedia” - terapia durante o repouso descrita pelo autor- pode ser associada à constante intervenção dos “influencers”, no dia-a-dia dos jovens, por meio da propaganda, visto que, essa parcela da população tem contato frequente com as mídias sociais. Dessa forma, como esses influenciadores são vistos como modelos a serem seguidos, o público juvenil se torna consumista, na medida em que sente a necessidade de obter os produtos indicados por seus ídolos.
Além disso, segundo o médico psicanalista Freud, o homem é um ser “faltante” e por isso está sempre em busca do que ainda não tem. Dessa forma, a presença incessante das personalidades digitais na vida dessa faixa etária é prejudicial por aumentar os casos de depressão. Isso porque elas deixam transparecer, apenas, o que lhes é proveitoso, como sucesso, casas de luxo, carros importados, presença em festas exclusivas e oculta as características que as tornaria seres alcançáveis. Sendo assim, os jovens, em busca dessa felicidade artificial e inalcançável, se sentem insuficientes e desestimulados por não viver a vida “perfeita” dos seus heróis e, desse modo, desenvolvem doenças psicológicas, como a depressão.
Portanto, para que os impactos dos influenciadores digitais na formação dos jovens seja diminuído, é preciso que a sociedade se torne mais crítica, por meio da leitura de livros com a temática do consumismo no dias atuais. Ademais, faz-se necessário que as plataformas digitais conscientizem essas personalidades da internet, por intermédio de um curso obrigatório para aqueles com mais de 10mil seguidores. Neles, serão abordados temas como as consequências de suas falas, a responsabilidade de influenciar jovens, etc. Logo, a sociedade brasileira se tornará consciente do que assiste e consome nas redes sociais e não será alienada e massificada como a apresentada no livro “Admirável Mundo Novo”.