O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 16/04/2020

No ano de 1917, o escritor Monteiro Lobato publicou no jornal de São Paulo uma crítica destrutiva acerca da exposição artística de Anita Malfatti, que trouxe uma proposta distinta dos padrões aceitos na época. Como resultado, a parcela da população que teve acesso ao artigo passou a desaprovar as obras de Malfatti, que decidiu encerrar sua carreira como pintora. De forma análoga, no contexto social vigente, é perceptível que pessoas influentes conquistaram uma significativa atenção dos jovens nas redes sociais, com seu estilo de vida luxuoso e aparentemente descomplicado. Desse modo, os indivíduos que consomem o conteúdo dos influenciadores digitas, tendem a querer se comportar da mesma maneira, e quando não têm sucesso, podem desenvolver problemas psicológicos.

Em primeiro plano, é necessário refletir acerca da necessidade de aprovação social que os jovens possuem. O episódio “Queda Livre” da série “Black Mirror” narra uma sociedade futurística, na qual as interações entre os indivíduos são avaliadas em seus perfis na internet. Com isso, os serviços oferecidos _ moradia, alimentação e transporte_ são divididos conforme as pontuações, de forma que a ascensão social interfere diretamente na sua qualidade de vida. Fora da ficção, é notório que tal busca por validação tem se intensificado com o advento das redes sociais, pois, os influenciadores digitais são bem avaliados, e possuem uma vida glamurosa e desejada. Quando o jovem não alcança esse determinado padrão, desenvolve um sentimento de angústia, e nos casos mais graves, depressão.

Em segundo plano, é válido discutir como a cultura do consumo é determinante para o sucesso dos influenciadores. De acordo com o jornalista Muniz Sodré, “na sociedade contemporânea, onde as relações sociais tendem a reger-se por imagens midiáticas, a imagem de um indivíduo pode agregar valor econômico na medida de seu incremento técnico: amplitude do espelhamento e da atenção pública”. Ou seja, quanto maior a quantidade de pessoas que acompanham e se espelham nos “influencers”, mais capital ele irá ganhar, seja na forma de dinheiro ou patrocínio. Desse modo, há um número crescente de jovens que negligenciam os estudos para se dedicar a essa atividade, o que pode ser prejudicial no futuro.

Tendo em vista os fatos mencionados, é especialmente importante que é as pessoas na faixa-etária entre os 12 e 24 anos recebam instruções de como lidar com as informações disseminadas pelos influenciadores digitais. Dessa forma, o Ministério da Educação deve promover, com verbas governamentais, campanhas e palestras educativas ministradas por psicólogos, especialistas em marketing e relações sociais, a fim de promover a criticidade dos jovens mediante à publicidade e mitigar os impactos negativos.