O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 16/04/2020

De acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), todo indivíduo tem direito à liberdade de expressão. Nesse contexto, essa liberdade é usufruída, por exemplo, pelos influenciadores digitais, os quais através das suas redes sociais influenciam os jovens por meio da exposição de suas preferências de consumo e estilo de vida. Entretanto, tal liberdade impacta de forma negativa os jovens, pois a maioria dos influenciadores possuem um poder aquisitivo maior ,como também, seus gostos tendem a forma estereótipos padrões que a maioria dos jovens não conseguem seguir.

A princípio e segundo o geógrafo Milton Santos, a sociedade vivência uma globalização perversa e ao avesso,pois ao invés de incluir acabar por excluir o indivíduo de seu contexto social. Nessa perspectiva, tem-se a internet (globalização) onde os influenciadores digitais possuem um alto poder aquisitivo quando comparados ao jovem comum. Essa diferença de renda acaba impactando de forma negativa a formação dos jovens na medida em que esses se veem sem perspectivas futuras por não terem dinheiro suficiente para conseguir seguir o estilo de vida “imposto” pelos influenciadores. Dessa forma, tem-se jovens com baixa autoestima que podem desenvolver depressão e não conseguem conviver e se formar em sociedade de forma saudável.

Além disso, segundo o educador Paulo Freire, um sistema quando imposto necessita de indivíduos dóceis para funcionar. Analogamente a esse pensamento, os influenciadores digitais (sistema) possuem os jovens como essenciais, ou seja, o jovem funciona como um receptor dócil de suas preferências de consumo, estilo de vida e opiniões. Isso ocasiona ao jovem uma formação acrítica e sem diversidade pois, como receptor dócil não possui voz ativa e tende a seguir um padrão estabelecido. Desse modo, a maioria dos jovens ao não conseguirem se enquadrar nesses padrões acabam se sentido como uma “ovelha negra” na internet e desenvolvem a fobia social - tanto no meio “on-line” como no “off-line” - por se acharem diferentes da maioria o que acarreta danos em todas as esferas de sua formação.

Portanto, diante dos fatos mencionados, compete a mídia conscientizar os jovens sobre a diversidade de classe, gêneros e raça por meio de campanhas publicitárias na internet que demostrem através de vídeos que os seres humanos são diferentes e que as preferências e estilo dos influenciadores não devem ser seguidos como padrão apenas como diferentes a fim de diminuir a baixa autoestima dos jovens. Ademas, é dever das escolas abordar em sala de aula o tema diversidade por meio de aulas interdisciplinares de humanas com linguagens que discorram sobre livros que abordem a aceitação do eu, o amor próprio e a empatia a fim de forma jovens com mais aceitação de si. Desse modo, tem-se a DUDH exercida de fato tanto para os jovens como para os influenciadores.