O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 04/04/2020

O filme “Modo Avião” mostra o trabalho de uma influenciadora na promoção e no convencimento dos telespectadores a utilizar determinados serviços e produtos. Fora da ficção, esse tipo de propagação digital ganhou mais espaço na sociedade atual. Nessa perspectiva, é premente analisar os impactos desses na formação dos jovens, como a interferência em decisões de cunho aquisitivo e na submissão precoce a intervenções médicas.

Em primeira análise, é lícito postular a influência dessas figuras no mercado de consumo. De acordo com um estudo realizado pela ODM Group, 70% dos consumidores utilizam as redes sociais para guiar suas comprar. Nesse sentido, fica claro o poder das mídias nas decisões individuais. Como evidencia do supracitado, o professor da Universidade Federal de Minas Gerais, Fabrício Benevenuto, chama isso de “comportamento de manada”, o qual consiste em situações as quais indivíduos em grupo reagem todos da mesma forma, embora não exista direção planejada. Isto é, as decisões não são tomadas a partir da reflexão pessoal.

Faz-se mister salientar, ainda, o prejuízo causado pela exposição de um corpo perfeito, o qual não representa a realidade da maioria. Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, o Brasil lidera o ranking de cirurgias plásticas em adolescentes e esses aumentos estão relacionados às imagens do corpo ideal propagados pela mídia. Como exemplo desse fenômeno, uma matéria da revista “Época” mostra o caso de uma adolescente de 16 anos a qual colocou próteses mamárias e afirma ter sido influenciada pelo Instagram, rede social de maior atuação das blogueiras. Dessa forma, fica nítido como esse poder de manipulação pode levar a mudanças corporais permanentes.

Infere-se, portanto, a necessidades de medidas aptas a geram senso crítico nos jovens. Logo, urge que o Ministério da Educação, em conjunto com escolas, por meio da maior parcela dos tributos, inclua a disciplina de ética e cidadania no currículo escolar dos ensinos infantil, fundamental e médio, com o intuito de disseminar o habito de reflexão quanto ao consumo consciente. Ainda, é de extrema importância a conversa familiar sobre a heterogeneidade dos indivíduos e a importância da autoaceitação, com o objetivo de desconstruir a ideia errônea do corpo perfeito. Desse modo, será possível uma sociedade a qual os adolescentes saibam filtrar o que é disseminado digitalmente.