O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 07/04/2020

Os filósofos alemães Adorno e Horkheimer criaram o conceito de “indústria cultural”, cuja ideia está relacionada a uma padronização de valores transmitidos nos veículos de comunicação. Nesse sentido, estão inseridos no contexto atual os influenciadores digitais, produtores de conteúdo para YouTube, Instagram e Facebook, que possuem milhões de seguidores, compostos predominantemente por um público juvenil. Assim, é importante analisar o impacto desses influenciadores na vida dos jovens brasileiros, cada vez mais conectados às redes sociais.

Primeiramente, cabe ressaltar alcance online, os influenciadores digitais podem chegar a ter milhões de seguidores em suas redes sociais, exemplo disso são as irmãs kardashian, que possuem um alcance de mais de 160 milhões de pessoas no Instagram. Por isso, essas celebridades virtuais são instrumentos de propaganda para diversas marcas. Porém, a falta de uma legislação para regulamentar esse tipo publicidade apresenta diversos problemas, entre eles, o incentivo a uso de medicamentos, não sendo incomum blogueiras indicando o uso de fármacos indiscriminadamente em suas postagens, principalmente os para emagrecer. Esse tipo de divulgação, além de perigosa, reforça padrões estéticos como forma de alcançar a realização pessoal.

Além disso, é válido citar casos de atitudes preconceituosas de “youtubers”, que podem contribuir para a construção do caráter do jovem sob alicerces frágeis. Exemplo disso é Júlio Cocielo, cujas piadas foram consideradas racistas e repercutiram negativamente na mídia. Comportamentos como esse são inaceitáveis, pois reforçam estereótipos e distorcem a visão de mundo dos jovens, confirmando a ideia de Adorno, que a cultura de massa não apenas nos torna menos inteligentes, mas também incapazes de agir moralmente.

Fica claro, portanto, que os influenciadores digitais têm poder de persuadir e inspirar o comportamento dos jovens brasileiros. Por isso, cabe aos pais e familiares verificarem o conteúdo dos vídeos assistidos nas plataformas onlines e alertar os filhos sobre a manipulação que existe na mídia para transformar a arte em mercadoria e estimular o consumo por meio da alienação das massas. Espera-se com isso desenvolver nos jovens uma inteligência emocional que permita fazer escolhas e julgamentos criteriosos, afastados da “indústria cultural”.