O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 03/04/2020
É fato que as primeiras décadas do século XXI foram marcadas pela ascensão das redes sociais e, consequentemente, pelo surgimento dos chamados influenciadores digitais. Tais pessoas são responsáveis por indicarem marcas, produtos e ideias para os seus milhares de seguidores, ato muito discutido atualmente, já que tais indicações devem ser pautadas em quesitos reais e verdadeiros. Entretanto, inúmeros influenciadores digitais utilizam de seu poder apenas visando o lucro, e não levam em conta se tal ação irá agregar positivamente para a sociedade.
Em primeiro plano, deve-se ter em mente que tal contexto já foi muito discutido, principalmente pelos filósofos, Adorno e Horkheimer, criadores do conceito de Indústria Cultural. Tal conceito está relacionado com a padronização dos meios de comunicação, ou seja, as ideias divulgadas estão dentro de um molde que a sociedade irá seguir. Desta maneira, o molde falado remete-se às informações e ideias compartilhadas pelos influenciadores digitais, a exemplo de Bianca Andrade, conhecida popularmente como “Boca Rosa”. Atualmente, Bianca influencia mais de 10 milhões e meio de pessoas por meio de sua conta no “Instagram”, fato que resulta em um grande número de jovens tendo sua beleza e seu estilo de vida como um estereótipo a ser seguido para sentirem-se inclusos na sociedade atual.
Outrossim, deve-se levar em conta que quando uma pessoa se torna uma influenciadora digital, seja por qualquer plataforma, grande parte de sua vida deixa de ser privada e torna-se pública. Análogo a isso, tem-se o exemplo do “influencer”, Júlio Cocielo, que, devido a um comentário considerado racista sobre o jogador de futebol Mbappé, perdeu inúmeros patrocínios. De acordo com o jornal Folha de São Paulo, certos patrocinadores faziam campanhas ligadas ao futebol e afirmavam repúdio à discriminação e ao preconceito, fato pelo qual Cocielo perdeu, além de patrocínio, seguidores em suas redes.
A fim de resolver essa problemática, é mister que as escolas, juntamente com ONG’s, por meio de verbas destinadas a área, criem campanhas e palestras com profissionais do âmbito, a fim de que crianças e jovens aprendem a utilizar com moderação a opinião de influenciadores, para que sejam apenas influenciados positivamente, sem que haja a criação de estereótipos de qualquer espécie. Ademais, é de extrema importância que as escolas estimulem campanhas contra o “bullying” e a intolerância, criando jovens livres de preconceitos e com habilidade de libertar-se da Indústria Cultural.