O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 07/04/2020

O cantor Jeon Jeongguk em uma conversa com seus fãs em um fórum online compartilhou a marca de amaciante que ele usava para lavar suas roupas. Imediatamente, seus fãs demonstraram o desejo de usar o mesmo produto que o ídolo, levando à escassez do amaciante nas lojas e colocando o nome do produto no topo dos termos mais buscados no Naver - popular portal de busca da Coreia do Sul. Cenas como essa são cada vez mais comuns, deixando nítido o poder que os influenciadores digitais tem sobre das pessoas. Partindo do pressuposto, será que valorização do material pregada por muitos desses influenciadores e, portanto, o endeusamento da mercadoria, é uma boa influência para o carácter dos jovens?

Primeiramente, é importante ressaltar que a atmosfera consumista criada pelos influencers nas redes sociais virou um mecanismo usado pelo mercado para controlar as ações e pensamentos dos jovens, sem que eles mesmo saibam. Um estudo feito pela Youpix, especialista no mercado de criadores de conteúdo, comprova essa tática, mostrando que 64% dos jovens de 18 a 34 anos já usaram influenciadores digitais como uma fonte para conhecer uma marca ou produto. Porém, esse método tende a ser prejudicial às suas vítimas, já que, em alguns casos, a falta desse produto acaba produz um sentimento de insuficiência no indivíduo já alienado, como atesta um levantamento feito pela Fundação Getúlio Vargas, que mostrou que para 41% dos jovens brasileiros, as redes sociais causam sintomas como tristeza, ansiedade ou depressão.

Por conseguinte, é fato que a hipervalorização do material proposta por esses influenciadores auxilia na idealização da mercadoria, o que cria necessidades inexistentes. Segundo o sociólogo Karl Max, um desses fenômenos denomina-se “Fetichismo da Mercadoria”, que caracteriza-se pela atribuição de valor simbólico aos artigos, exemplo disso são os preços absurdos atribuidos a produtos de marcas famosas, como a marca italiana Gucci, cujas bolsas e acessórios podem variar entre 800 e 12.000 reais. Essa fetichização colabora para o aumento da vunerabilidade do indivíduo exposto a esse fenômeno por meio da cultura voltada para o “ter”, tornando-o escravo do consumismo.

Dessarte, é mister a ação do Estado para a possível resolução do problema. Para sensibilização dos criadores de conteúdo, urge que o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) crie campanhas, por meio de verbas governamentais, que incentivem-os a filtrar aquilo que eles vão apoiar, para que possam propagar produtos que sejam de fato úteis ao público que ele abrange. Só assim, será possível a construção de uma juventudo mais consciente e, ademais, libertar os jovens das amarras do mercado.