O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 30/03/2020

Os filósofos alemães Adorno e Horkheimer criaram o termo “indústria cultural”, cuja ideia está centrada em uma padronização de valores transmitidos nos meios de comunicação. Nesse sentido, estão inseridos na conjuntura atual os influenciadores digitais, que produzem cultura material e imaterial com a finalidade de estimular o consumo e gerar lucro. No entanto, esta atitude é problemática pois seu público jovem pode ser impactado negativamente ao ter seu caráter moldado através de redes sociais.       Os influenciadores possuem milhares ou milhões de seguidores em suas redes sociais, seja Instagram, Twitter ou YouTube, e através dessas mídias as subcelebridades compartilham toda a sua rotina e criam uma grande aproximação com seu público, que normalmente é juvenil. Diante disso, as empresas estão investindo muito para que essas personalidades divulguem no seu dia a dia produtos e marcas que influenciem os seus seguidores. Entretanto, ao divulgar mercadorias, os famosos também vendem junto valores que vão atingir a construção moral dos jovens e interferir no seu comportamento. Como exemplo, vale destacar o YouTuber Júlio Cocielo, que teve vídeos removidos da internet por ser acusado de produzir conteúdo racista capaz de acentuar o estereótipo do preconceito na sociedade.

Além disso, é importante salientar que geralmente, os influenciadores divulgam uma vida utópica, fora da realidade para muitos de seus seguidores. Eles mostram roupas de grife, carros de luxo, mansões, amigos cercados de dinheiro, baladas e viagens incríveis. Tudo isso acompanhado de um excesso de positivismo que parece que as pessoas só não têm a vida perfeita porque não querem. Essa vida maravilhosa revolta qualquer pessoa que convive com os problemas e dificuldades do cotidiano e não é alguém privilegiado que pode ter tudo o que eles exibem. Mas a verdade é que os ‘blogueiros’ vendem uma vida, produtos e princípios sem pensar na realidade de seus fãs, e apenas se importam com dinheiro e status, assim como define a indústria cultural.

Portanto, é evidente que os influenciadores digitais interferem e inspiram a conduta dos jovens. Por isso, cabe as instituições escolares promoverem palestras com psicólogos, para estes informarem sobre a alienação que existe nas mídias sociais no intuito de transformar tudo em mercadoria e estimular o consumo por meio da manipulação. Ademais, também é imprescindível que os pais conversem com seus filhos para que eles não caiam nas estratégias do marketing digital. Com tudo isso, espera-se que o jovem construa julgamentos criteriosos que o afastem da indústria cultural e da moral construída via rede social.