O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 01/05/2020

No segundo episódio da série Black Mirror retrata pessoas pedalando em bicicletas e assistindo vídeo de influenciadores diariamente. À vista disso, essa ideia de seguir influentes digitais é também uma realidade contemporânea brasileira e que ocasiona impactos na formação dos jovens alterando tanto o comportamento quanto práticas e escolhas de consumo deles.

Vale ressaltar, a princípio, os efeitos de forma direta que os “influencers” causam nas atitudes dos usuários, especificamente, dos jovens, induzindo-os e persuadindo-os a repetição das condutas do influente digital. Nesse sentido, Aristóteles, em sua obra Poética, já antecipou que a imitação é uma das maiores faculdades humanas e uma das formas de aprendizado. Isto posto, essa reprodução comportamental acarreta em uma característica psicológica conhecida como “comportamento de manada”, que é a tendência das pessoas seguirem as outras e tomarem decisões idênticas daqueles famosos, sem que passe, necessariamente, por uma reflexão individual. Nessa continuidade, as vezes sem perceberem, os internautas perdem sua identidade para apenas virarem uma cópia dos ídolos do Youtube, Instagram e Facebook. Faz-se imprescindível, portanto, a formação de internautas críticos, para não apenas reproduzirem atitudes, como se fossem marionetes.

Ademais, outro impacto a ser discutido é a intervenção no consumo dos jovens pelos influenciadores digitais. Nessa perspectiva, consoante o blog oficial do Twitter, aproximadamente 40% das pessoas fizeram uma compra imediatamente depois de verem um “tweet” de um influenciador em que confiam. Isso ratifica o poder de controle de compra exercido pelos jogadores, artistas, youtubers e famosos que são usados em propagandas, marketing e publicações para venda de produtos e ideias. Dessa forma, o jovem se perde na alta gama de anúncios e, então, almeja seguir aquele padrão de consumo, às vezes, simplesmente pelo falo de o influenciador está utilizando.

Diante dos fatos mencionados, portanto, é necessário que o Ministério da Educação, preocupado com a formação integral dos jovens, juntamente com as escolas e equipes pedagógicas, criem debates neste ambiente educacional sobre esse universo digital influenciador e seus impactos. Isso deve ocorrer por meio de aulas extras ou apresentações inseridas nas disciplinas, como sociologia, expondo, explicitamente, os efeitos dos influenciadores no mundo tecnológico, relatando as consequências positivas e negativas e modos para pensamentos críticos antes de repetições comportamentais e consumistas. Assim, essa ação deve ser colocada em prática, a fim de que os jovens não persigam o “comportamento de manada” motivado pelos influentes digitais.