O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 30/03/2020

Observa-se que na obra Sociedade em Rede, Manuel Castells disserta acerca das novas tecnologias da informação e comunicação, além de discorrer sobre como essas interferem tanto nas estruturas sociais quanto nas relações humanas. Nesse cenário, é mister ressaltar que com o advento dessas novas tecnologias informacionais emerge, no convívio social,  a figura do influenciador digital, sendo necessário que se analise, de forma mais organizada, os impactos causados pelos criadores de conteúdo sobre a formação dos jovens. Sob esse aspecto, julga-se  que os influenciadores não só fomentam o consumismo, mas também ampliam as desigualdades entre jovens.

Em primeira análise, cabe ressaltar que ainda que Nietzsche afirme que o cidadão deve torna-se senhor de si mesmo, a ação de influenciadores digitais corrobora para com a manipulação das escolhas dos indivíduos e a fomentação do consumismo. Nesse sentido, é visto que Indústria Cultural -proposta por Adorno e Horkheimer- migrou dos meios de comunicação tradicionais para fixar-se nas práticas realizadas pelos influenciadores digitais. Desse modo, considera-se que amparados como uma nova forma da Indústria Cultural, os “influencers” acabam operar as mídias sociais promovendo uma publicidade exacerbada e, assim, manipulam escolhas e moldam indivíduos mais consumistas.

De outra parte, também é notório ressaltar que a promoção, acentuada, de bens de consumo  efetivada pelos influenciadores digitais, por intermédio da Indústria Cultural, tende a intensificar as desigualdades sociais. Nessas perspectiva, acredita-se que ao aumentar a taxa de compra, da população jovem, os influenciadores acabam por consolidar o consumo conspícuo proposto por Veblen - economista e sociólogo norte americano-, ou seja, o objeto consumido perde sua função utilitária para torna-se símbolo de status e prestígio social. Por conseguinte, acredita-se que a perda de função dos objetos faz com que as classes menos abastadas procurem copiar padrões de comportamento e consumo de estratos sociais superiores aumentando, assim, a desigualdade social entre os jovens.

Urge, pois, que medidas sejam estabelecidas, a fim de mitigar a problemática em voga. Dessa forma, cabe ao Estado- por meio do Ministério da Cidadania- deve trabalhar com as plataformas de mídias digitais visando amenizar os efeitos exercidos pelo influenciadores digitais sobre a população jovem; por meio da criação de legislação - como o Marco Civil da Internet- e regulamentação dos termos de privacidade das plataformas permitindo regularizar como mas o trabalho feito pelos influenciadores digitais afeta a população jovem , a fim de que, dessa maneira possa-se reduzir o consumismo e a desigualdade social entre a púbere brasileira. Com tais medidas, o fato será amenizado.