O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 30/03/2020

Na década de 80, os jovens espelhavam-se nas atrizes e atores das novelas brasileiras. Já nos dias atuais, os adolescentes inspiram-se nos influenciadores digitais, os quais são pessoas que usam plataformas de conteúdo na internet para mostrar seu estilo de vida, vender produtos e serviços. Desse modo, os “influencers” estão mudando o comportamento dos jovens, tornando-os mais ligados ao dinheiro e a bens materiais, e contribuindo para o desenvolvimento de transtornos psíquicos, como ansiedade e depressão.

Em primeiro lugar, os influenciadores digitais estimulam os jovens a serem materialistas e consumistas. Porque, eles mostram a sua felicidade em comprar e ter roupas caras, em comer em restaurantes da alta sociedade e em fazer viagens luxuosas. Tal coisa faz com que os jovens pensem que só podem ser felizes se tiverem a vida que os “influencers” têm. Então, passam a comprar desenfreadamente para sentirem-se bem e fazem disso como objetivo de vida deles, para tentar ser mais parecido com seu ídolo da internet. Por isso, de acordo com a agência de comunicação, ODM Group, mais de 70% dos adolescentes baseiam-se em perfis das redes sociais para consumirem.

Em segundo lugar, através de fotos editadas, com ângulos favoráveis e em lugares paradisíacos, os influenciadores parecem ter corpos e vidas perfeitas para os jovens. Dessa forma, os adolescentes passam a almejar por padrões estéticos e estilísticos inalcançáveis, e isso pode resultar em ansiedade e depressão. Porque, segundo a professora de psicanálise da Universidade de São Paulo, Christian Dunker, as redes sociais, por serem repletas de imagens, fazem com que os usuários comparem-se com os famosos da internet, e sintam-se mal por não terem as vidas, aparentemente, sem defeitos como as deles.

Por fim, percebe-se, que graças aos influenciadores digitais os jovens estão valorizando mais os bens materiais, comprando mais e suscetíveis a doenças mentais. Assim, para que os adolescentes mudem tal comportamento e desenvolvam menos enfermidades psicológicas, a mídia digital por meio das redes sociais, como Instagram, Facebook e Twitter, devem fazer campanhas publicitárias que alertem sobre o risco do desenvolvimento da depressão e ansiedade, estimulem “influencers” e usuários a postarem fotos e fazerem publicações em que mostrem que são pessoas comuns, com defeitos como seus seguidores, e alertem sobre o consumismo e materialismo existente.