O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 02/04/2020

A Terceira Revolução Industrial é responsável por introduzir as tecnologias de comunicação no cotidiano de parte significativa da população mundial. A partir disso, a conexão entre jovens e influenciadores digitais é estipulada e concretizada. Nesse sentido, estabelece-se uma relação desigual de poder entre ambos os grupos, uma vez que a parcela mais vulnerável não só tem seu comportamento influenciado como também não desenvolve a capacidade de realizar decisões de própria autoria. Conclui-se, então, que os blogueiros impactam a formação humana e pessoal dos jovens.

De fato, a questão da influência comportamental que os influenciadores exercem sobre os jovens é preocupante. É evidente que esse ocorrido pode ser explicado pelo termo “peer pressure”, o qual refere-se à pressão e à influência exercidas por um grupo sobre um indivíduo a fim de que ele se comporte de modo semelhante ao dos dominantes. A partir disso, entende-se que os influenciadores têm grande poder de persuasão sob seu público. De modo análogo, o youtuber Pewdiepie, no ano de 2019, pediu apoio aos seus inscritos e os jovens se engajaram assustadoramente na tarefa. Por conseguinte, percebe-se o impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens.

Ademais, a questão da impossibilidade de adquirir capacidade de tomar decisões interfere profundamente na formação de um jovem. Por certo, o conceito de maioridade, elaborado pelo filósofo alemão Immanuel Kant, que abrange a situação que o ser humano não é capaz de pensar por si mesmo, além de não possuir autonomia, se aplica a realidade em que os influenciadores digitais intervém na formação dos jovens. Sob esse viés, é possível evidenciar o poder dos blogueiros de manipular sua audiência. Assim, é de extrema importância que os jovens sejam autônomos e críticos em relação ao conteúdo que consomem.

Logo, a influência sobre o comportamento do público e a falta de desenvolvimento de autonomia é extremamente prejudicial para os jovens. Assim, o Ministério da Educação, cumprindo sua função social de zelar pela educação de qualidade, deve promover o combate a “peer pressure”. Isso deve ser efetivado por meio do redirecionamento de verbas, combatendo esse comportamento prejudicial. Além disso, as mídias televisivas, cumprindo sua função social informativa, devem promover a discussão voltada para o desenvolvimento do pensamento crítico da população mais jovem. Tal medida deve ser implementada por meio do “merchandising social”, que é a inserção intencional de dados e informações direcionados para um questão educacional e social nas novelas e minisséries. Portanto, ambas as ações devem ser instituídas a fim de que o impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens seja mínimo, buscando atingir a maioridade proposta por Kant.