O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 06/04/2020
Ao contrário do que muitos pensam, os ‘‘influencers’’ (influenciadores digitais), não são frutos do século XXI; desde a popularização do rádio e da televisão, tornou-se comum a utilização de pessoas famosas para a credibilização de um produto material ou cultural. Nesse contexto, é fácil de se observar tal fenômeno: em obras artísticas ou mesmo em períodos de eleição política, atuando como ferramenta, para atingir o imaginário popular. Portanto, faz-se necessário a discussão sobre o impacto negativo dos formadores de opinião no mundo cibernético, seja pela condução ao consumismo exacerbado ou pela criação ilusória de uma personalidade, ambos nocivos ao desenvolvimento dos adolescentes.
Em prelúdio, urge compreender o fato de que os ‘‘influencers’’ são pagos para transmitir uma mensagem aos interlocutores, visando persuadi-los a consumir um produto. Durante a ‘‘Era Vargas’’, período histórico brasileiro, o candidato à eleição presidencial Jetúlio Vargas, visto que era muito querido pelo público, utilizou do seu poder carismático para se autopromover, pois, sua posição política bastava para uma grande massa o acompanhar, independentemente de seus ideais. Analogamente, hoje, esta mesma estratégia, é utilizada para estimular o consumismo, baseado não no interesse pessoal, mas na capacidade de impulso causado no convencimento dos influenciadores, principalmente na mente de jovens que não possuem uma maturidade financeira.
Em seguida, é importante analisar a relação entre a necessidade de aceitação coletiva na fase juvenil, e a ‘‘venda de personalidade’’ pela indústria, conduzidas pelos que estimulam os jovens. No clipe da música ‘‘Vida loka II’’ do grupo ‘‘Racionais mc’s’’, é explicitado como a posse de itens materiais faz com que um indivíduo seja aceito em determinado conjunto social. Logo, a atividade aparentemente inofensiva de influenciar, faz com que muitos que não possuem poder aquisitivo sejam excluídos da sociedade, por não conseguir se adequar ao superficialismo da vida de aparências criado pela mídia motivadora.
Em suma, a pressão consumista e identitária causados pelos influenciadores digitais, mostram-se agressivas para o adequado desenvolvimento dos cidadãos. Portanto, é dever da família e de organizações não governamentais que atuam no bem-estar social, esclarecerem à população, o mal causado pela influência, antes da inserção da pessoa no mundo digital, por meio de conversações e discussões. Dessa maneira, a longo prazo, formar-se-á uma sociedade mais consciente de seus atos e menos suscetível aos formadores de opinião, fazendo com que as cenas vistas no clipe da música ‘‘Vida loka II’’, sejam menos vistas no século XXI.