O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 02/04/2020
Os influenciadores digitais e a nova concepção de fama
A internet mudou o mundo e, também, a forma como as pessoas constroem e lidam com os seus ídolos. Para o público “teen”, as novas celebridades se resumem em jovens adultos que conquistam um enorme contingente de seguidores em suas redes sociais: os “influencers”. Entretanto, os tais influenciadores digitais, com os seus vídeos e stories, indiretamente, vendem uma vida idealizada aos jovens, levando-os à uma falsa noção de realidade; assim, condicionando-os à conflitos intrapessoais e à problemas psicológicos, como a depressão.
Para entender esse efeito é indispensável conhecer o contexto: por longas décadas, o processo de gênese das celebridades foi de posse exclusiva das mídias de comunicação de massa. Os atores, em especial, detinham e representavam o ideal de qualidade de vida, de sucesso e de aparência, ou seja, eles assimilaram o significado de “vida perfeita”. Contudo, com o surgimento da internet, houve a fragmentação do monopólio da fama; agora, qualquer um, com uma simples câmera, pode se projetar rumo ao estrelato. Foi assim que surgiram os influencers supracitados. Porém, diferentemente dos famosos tradicionais, eles se caracterizaram por uma enorme identificação com o público, porque pertenciam a mesma realidade social, eram “gente como a gente”.
Por isso, sabendo dessa característica ímpar, as empresas não demoraram a patrociná-los; evidentemente, por serem mais eficazes que qualquer “pop-up”, os influenciadores, num piscar de olhos, revolucionaram o marketing digital. Assim, como numa galvanização, em que um metal reveste um outro visando aprimorar sua aparência, as grandes corporações, ao financia-los, foram recobertas com uma nova roupagem, jovem e moderna. No entanto, essa mudança não alterou somente as empresas, ela modificou, sobretudo, o próprio influencer. Tais patrocínios fizeram com que ele saísse da sua condição inicial de classe média, semelhante à do seu público, e passasse à classe alta. Grosso modo, essa mudança representa, na perspectiva do adolescente, um enredo vitorioso, uma ascensão social, na qual ele passou a se projetar.
Dessa forma, uma parcela dos jovens, quando chocam as suas frágeis expectativas com a impassível realidade, se frustram; por vezes, consideram a si mesmos um fracasso por não atingir objetivos idealizados e impossíveis. Por esta razão, é preciso que o Estado intervenha, e que passe a financiar, por meio dos recursos do Ministério da Educação, visitas semanais de psicólogos em escolas públicas, para, desse modo, ajudar com maior enfoque os casos mais sensíveis e de forma mais ampla os casos mais gerais. E, claro, exigir o mesmo para as escolas particulares.