O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 06/04/2020
A internet - inicialmente denominada ARPANET - teve a sua origem na Guerra Fria, período no qual os Estados Unidos e a União Soviética disputavam pela hegemonia mundial. A partir da sua invenção, ocorreram diversas evoluções e o seu uso foi difundido, de forma que, na contemporaneidade, grande parte da população utiliza, frequentemente, essa ferramenta. Nesse sentido, os influenciadores digitais possuem uma forte influência na formação dos jovens, o que corrobora para a restrição da visão de mundo desses, uma vez que os adolescentes estão expostos apenas a conteúdos de seu interesse. Diante dessa perspectiva, o acesso constante às redes sociais e a alienação dessa parcela contribuem para o agravamento da problemática.
Em primeiro plano, é imperioso destacar o longo tempo de conexão dos usuários. De acordo com o determinismo social, teoria defendida pelo filósofo Thomas Hobbes, o ambiente no qual o indivíduo está inserido define o seu comportamento. Diante disso, ao passar a maior parte do dia na internet, o sujeito tem as suas atitudes moldadas dentro desse cenário. Desse modo, os influenciadores digitais apresentam uma participação considerável na construção dos jovens, fato que potencializa a necessidade da publicação consciente de conteúdos em seus perfis.
Ademais, vale ressaltar a perda de senso crítico. Segundo o filósofo Sócrates, “Uma vida sem reflexão não vale a pena ser vivida”. Tendo isso em vista, nota-se que, ao acompanhar somente “influencers” do mesmo seguimento, a pessoa fica presa em uma “bolha sociocultural”, o que a impede de ter contato com pontos de vista divergentes. Consequentemente, não há o confronto de ideias para que o sujeito seja capaz de formar as suas próprias conclusões por intermédio do pensamento individual. Assim, o desenvolvimento pleno dos cidadãos é comprometido, desencadeando a formação de uma sociedade alienada, na qual é separada por grupos que desconhecem opiniões diferentes do seu círculo de convivência.
Logo, é mister a adoção de medidas a fim de amenizar o quadro atual. Para tanto, cabe às mídias sociais de grande alcance - como o Instagram, por exemplo - emitirem alertas aos usuários quando esses atingirem determinado tempo de uso consecutivo - sem que tenha a necessidade desses selecionarem essa opção -, além de direcionarem conteúdos de grande relevância - como postagens relacionadas à debates sociais. Tais ações serão concretizadas por meio da reprogramação dos algoritmos dessas redes, para que as pessoas reduzam o tempo dedicado à internet e, quando estiverem conectadas, possam aproveitá-lo de maneira mais benéfica.