O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 29/03/2020

Em um dos episódios da série da “Netflix” “Black Mirror”, a personagem Lacy torna-se obcecada em imitar a vida das celebridades das redes sociais, porque acredita que eles são o modelo de felicidade genuína, o que a faz ter crises psicóticas. Fora das telas, no Brasil, os influenciadores digitais impactam negativamente, assim como na ficção, na psique dos jovens, pois estimulam o consumismo e a depressão.

Nesse prisma, segundo uma pesquisa da “Youpix”, apenas 10% dos adolescentes disseram nunca ter sido convencidos a consumir um produto depois de ver um influenciador digital usá-lo. Esse dado evidencia como o consumismo da geração hodierna é condicionado pela vontade de ser como as celebridades digitais. Ademais, segundo Bauman, a civilização moderna, a qual ele chamou de Sociedade do Consumo, é marcada pelo vazio existencial, ou seja, as pessoas se sentem insignificantes e sem propósitos, uma vez que a alegria de possuir uma nova mercadoria é passageira. Em consoante à tese do sociólogo, os influenciadores digitais, por serem figuras que inspiram milhões de jovens, ao fazerem divulgação de produtos que usam, a geração atual é estimulada a adquirir esses objetos e se torna frustrada ao notar que o êxtase de fazer uma compra dura pouco, o que faz com que ela necessite estar sempre adquirindo novos bens e, consequentemente, se sinta vazia.

Outrossim, os versos “Ela era só uma menina/Ninguém notou a sua depressão/Seguiu o bando a deslizar a mão/Para assegurar uma curtida” da música “Desconstrução”, de Tiago Iorc, denuncia o impacto da idealização da vida perfeita presente na mídia. Paralelamente à canção, o Departamento de Psiquiatria da Universidade de Montreal constatou que o uso das redes sociais está relacionado com o aparecimento de sintomas da depressão nos adolescentes. Logo, os perfis dos influenciadores digitais, por conterem rostos e corpos perfeitos, provoca um sentimento de tristeza profunda e insuficiência no jovem, que passa a achar sua vida longe do ideal de felicidade, promovido pela mídia.

Dessarte, medidas são necessárias para reduzir os impactos negativos dos influenciadores digitais no psicológico da geração atual. Para tal, urge que o Ministério da Tecnologia, órgão que é responsável pela ciência no país, por meio de um aplicativo que bloqueie o acesso às redes sociais depois de um tempo (previamente estipulado), diminua o contato dos adolescentes com os conteúdos das celebridades virtuais, a fim de que o vício em consumir produtos e a depressão possam ser extintos. Assim, será evitado que o Brasil viva a realidade distópica presente na série “Black Mirror”.