O impacto da tecnologia na educação
Enviada em 06/06/2022
“O Brasil é o país do futuro”, enunciou Stefan Zweig em sua primeira vinda à nação. O historiógrafo judeu saiu da Europa durante o comando de Hitler e encontrou sua nova morada na América do Sul. Lastimavelmente, seu presságio não se concretizou, uma vez que, mesmo com o avanço da tecnologia, diversos cidadãos seguem em acesso à educação, impedindo a formação de indivíduos que dialoguem com o futuro.
Sob esse viés, destaca-se que o Poder Público negligencia a capacidade educativa das ferramentas contemporâneas. Embora as redes sociais possibilitem que inúmeros alunos acessem conteúdos educacionais de qualidade e gratuitos, muitos brasileiros deixam de se beneficiar desses recursos por não possuírem internet e computador. Assim, da mesma forma que defendido pelo sociólogo Manuel Castells, as fronteiras digitais promovem a segregação social e a marginalização de determinados setores populacionais.
Além disso, a limitação do acesso se soma ao despreparo crítico dos jovens para lidarem com o excesso de conteúdo veiculado nas redes. De acordo com o filósofo Michel de Montaigne, o ensino deve formar pessoas questionadoras. Contudo, é notório que a juventude não está preparada para agir dessa maneira, visto que os índices de depressão e ansiedade entre os adolescentes, vinculados à extrema comparação e competição propiciadas, também, pela crescente exposição aos meios de comunicação modernos, são cada vez maiores. Nesse sentido, urge que o sistema educacional foque no preparo dessa população.
Portanto, para que o impacto da tecnologia na educação seja positiva, é necessário que o Ministério da Educação, por meio de um projeto de lei a ser encaminhado à Câmara dos Deputados, exija a disponibilização de internet às comunidades carentes e a criação de uma disciplina intitulada “Educação para as Mídias” na grade curricular nacional. Tal disciplina terá como foco o estímulo ao debate sobre como atuar frente aos conteúdos digitais. Destarte, possibilitanto um futuro mais são e democrático, como imaginava Zweig.