O impacto da exposição a telas no desenvolvimento infantil

Enviada em 27/09/2022

Observa-se que muitas discussões têm ocorrido acerca do impacto da exposição à telas no desenvolvimento infantil. Esse assunto, infelizmente, não tem tido a merecida importância, devido à falta de reflexão e ao silenciamento midiático. Assim sendo, é imprescindível refletir e intervir em tais problemáticas em prol da plena harmonia social.

Diante desse contexto, é lícito mencionar o contrassenso como sustentáculo do óbice. Efetivamente, conforme o conceito de Banalidade do Mal, cunhado pela filósofa Hannah Arendt, a sociedade tende a normalizar males aos quais é frequentemente exposta. Imerso nessa conjuntura, a contínua exibição de crianças às telas leva, em congruência com Arendt, à normalização por parte do corpo social, que passa a se portar de maneira irracional diante do imbróglio. Consequentemente, tal acriticidade tem gerado, por exemplo, uma maior ocorrência de jovens desatentos à realidade. Logo, nota-se a influência do ilogismo na construção desse quadro deletério.

Ademais, cabe destacar que a inércia da mídia corrobora o dilema. Nessa lógica, consoante o filósofo Pierre Bourdieu, o que nasceu para ser instrumento de democracia, não deve ser convertido em mecanismo de opressão. A mídia, segundo ele, é uma dessas ferramentas, mas, ao invés de promover debates sobre os danos que a exposição precoce de crianças às multimídias pode acarretar, influencia no silenciamento do problema, já que não denuncia sobre como a falta de atenção dos pais e/ou responsáveis impulsiona o problema. Por conseguinte, muitas pessoas se mantém em completa ignorância sobre o tema, o que ocasiona em uma expansão da agrura. À vista disso, torna-se evidente a importância da mídia para o enfrentamento da tribulação.

Portanto, cabe ao Governo instituir parcerias público-privadas, ao oferecer isenção de parte dos impostos a grandes empresas. Essa ação deve ser tomada por intermédio de comerciais e propagandas - promovidos por essas empresas - sobre os impactos da exposição à telas no desenvolvimento infantil, com o intuito de remediar a ausência de reflexão e o silenciamento midiático.