O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 09/06/2022
Zygmunt Bauman defende que “Não são as crises que mudam o mundo, e sim nossa reação à elas”. De maneira análoga à isso, o aumento quanto ao estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira. Nesse prisma, deve-se traçar estratégias a partir da atuação nas causas dos problemas: discriminação do meio onde vivem e a influência da mentalidade social.
Em primeira análise, evidencia-se a persistente discriminação do meio social. Sob essa ótica, segundo a Unaids, dados estatísticos apontam que ao menos 15% das pessoas soropositivas já sofreram ou sofrem algum tipo de discriminação por parte de profissionais da saúde, incluindo o esquivamento do contato físico; e outras 46% vindas de familiares, uma vez que isso desencadeia diversos medos e também a desistência no tratamento contra o HIV, por conseguinte, aumentando a taxa de mortalidade pelo vírus. Dessa forma, é preciso que a discriminação nesse setor se torne algo utópico.
Além disso, é notório que a influência da mentalidade social é um entrave no que tange ao problema. Chimamanda Adichie defende que “a cultura não faz as pessoas; as pessoas fazem a cultura” tal perspectiva aponta para a responsabilidade individual de mudar o pensamento coletivo sobre o estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira, uma vez que estes são vistos como pessoas fracas, vulneráveis e diferentes, aumentando também a falta de oportunidades existentes no meio em que vivem. Assim, é preciso suscitar a ação individual para a construção social desejada.
Depreende-se, portanto, a adoção de medidas que venham diminuir o estigma associado ao HIV na sociedade brasileira. Cabe então, à mídia de massa, juntamente ao setor púlico, criar um programa e investir em projetos sociais, por meio de entrevistas com especialistas no assunto e também uma parceria público-privada, a fim de atualizar a mentalidade social sobre tais estigmas. Paralelamente, é preciso intervir sobre a influência da mentalidade social presente no problema. Somente assim, será possível lidar da melhor maneira com essa crise, assim como defende Zygmunt Bauman.