O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 11/06/2022

Na série espanhola “Elite” a personagem Marina detém o vírus HIV e sofre muitos preconceitos e discriminações quando os alunos do colégio que estuda des-cobrem. Assim como na obra, observa-se que, na conjuntura brasileira contempo-rânea, há um estigma relacionado aos portadores de HIV, uma vez que os indivídu-os que sofrem dessa condição são marginalizados. Logo, faz-se necessário medidas a fim de amenizar esse impasse, que tem como principal causa a escassez de infor-mações da sociedade sobre tal assunto que gera, consequentemente, a manuten-ção de preconceitos.

Em primeira análise, é oportuno afirmar que o problema é motivado pela desin-formação da população acerca do vírus HIV. Nessa óptica, Manoel de Barros, gran-de poeta pós-modernista, desenvolveu em suas obras uma “teologia do traste”, cuja principal característica reside em dar valor às situações frequentemente es-quecidas ou ignoradas. Sob esse viés, é notório que, os cidadãos sem acesso aos conhecimentos sobre essa temática vivem na ignorância, disseminando suposições erradas e tomando atitudes preconceituosas.

Consequentemente, ressalta-se que essa incompreensão gera a persistência de crenças errôneas já refutadas cientificamente. Nos anos de 1980 foram registrados os primeiros casos de soropositivos no Brasil, sendo os homossexuais o primeiro grupo com AIDS, tornando a doença conhecida erroneamente como a “Doença gay”, apesar que nos anos seguintes foi comprovado que não se tratava de uma doença exclusiva dessa classe social. Assim, esse preconceito foi herdado pelas gerações atuais e essa parcela da sociedade fica à margem do convívio social, ten-do em vista a prevalência do desrespeito da população.

Dessarte, medidas são necessárias para resolver os problemas discutidos. Logo, cabe ao Estado, através do Ministério da Saúde, em parceria com ONGs disponibili-zar informações com linguagem clara acerca do tema e promover a visibilidade e inclusão do soropositivo na sociedade, por meio de campanhas midiáticas que tra-tem da temática de forma abrangente e desconstruindo tabus, a fim de mitigar o estigma associado ao vírus HIV. Dessa forma, a discriminação a soropositivos, co-mo Marina, estarão apenas na ficção.