O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 08/06/2022

Machado de Assis, em seu período realista, despiu a população brasileira e fez críticas aos comportamentos egoístas e superficiais, os quais definem essa nação. Não distante da ficção, observa-se aspectos similares no que tange à questão do estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira. Nesse sentido, são perceptíveis como causas do problema a negligência governamental, bem como a falta de conhecimento.

Nessa perspectiva, vale evidenciar que a indiligência do Estado é uma grave problemática impregnada na coletividade nacional. Segundo o Contrato Social, proposto pelo contratualista John Locke, é dever do Estado cumprir ações as quais assegurem o bem-estar coletivo. No entanto, a conscientização e respeito acerca do vírus HIV no Brasil, embora obrigação do Estado, não encontra investimentos para tornar-se realidade. O Movimento Nacional das Cidades Positivas, que tem como objetivo combater e melhorar a qualidade de vida dos indivíduos que testam positivo para o vírus, por exemplo, foi implementada há quase duas décadas, mas até hoje não foi devidamente colocado em prática. Assim, sem a atuação governamental, o problema persiste.

Ademais, cabe ressaltar a desinformação como entrave desse problema. Nessa perspectiva, de acordo com o escritor Peter Drucke, o conhecimento e a informação são os recursos estratégicos para o desenvolvimento social. Contudo isso não acontece na prática, devido a desinformação social sobre o vírus HIV, o que dá espaço ao preconceito e ao desrespeito contra o grupo que apresenta esse quadro clínico. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

É evidente, portanto, que há entraves para a desestigmatização associada ao vírus HIV no Brasil. Dessarte, a fim de combater o preconceito à indivíduos testados com soro positivo para o vírus, é preciso que o governo, autoridade maior do país, por meio do Ministério da Saúde, realize palestras e atividades de conscientização do vírus e também disponibilize apoio aos infectados, como o acesso a psicólogos e centros de apoio. Espera-se assim que os comportamentos egoístas e superficiais citados por Machado de Assis não venham mais a acontecer na realidade atual.