O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 05/06/2022
Em meados do século passado, o escritor austríaco Stefan Zweig mudou-se para o Brasil devido à perseguição nazista na Europa. Bem recebido e impressionado com o potencial da nova casa, Zweig escreveu um livro cujo título é até hoje repetido: “Brasil, país do futuro”. Entretanto, quando se observa a discriminação com as pessoas portadoras do vírus HIV, é perceptível que a capacidade do brasileiro de ser amistoso é limitada. Neste prisma, destacam-se dois aspectos: o preconceito acarretado pela falta de informação e como interfere na vida dos contaminados.
Em primeira análise, evidencia-se que a aversão aos indivíduos que possuem o vírus HIV, é fundada sobretudo pelo desconhecimento. Sob essa ótica, de acordo com o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS), oito de cada dez pessoas têm dificuldade em revelar que portam o vírus da imunodeficiência humana. Pois, com a ausência de conhecimento muitas vezes os infectados têm medo da exclusão por possuírem essa doença. Dessa forma, é indubitável que o estigma imposto a esses cidadãos gera diversas consequências para suas vidas, além do fardo de carregar a AIDS pelo resto de suas existências.
Outrossim, é notório que a hostilidade com a comunidade portadora de HIV é bastante recorrente nos dias de hoje, o que pode levar ao desenvolvimento de transtornos psicológicos. Desse modo, segundo o filósofo Rousseau, a natureza fez o homem feliz e bom, mas a sociedade deprava-o e o torna miserável, uma vez que a repressão a esses indivíduos os deixam consternados perante a sociedade. Consoante a isso, é inegável que a vida após o diagnóstico nunca mais será igual antes, mesmo que os devidos tratamentos sejam feitos e estes tenham o vírus inativo.
Portanto, medidas são necessárias para mitigar a problemática do estereótipo criado pelo corpo social sobre os infectados pelo vírus HIV. Para isso, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, inserir aulas sobre educação sexual para crianças e adolescentes durante o período escolar; a fim de anular os tabus e apresentar os métodos de prevenção à doenças sexualmente transmissíveis. A partir dessas ações, será possível enxergar o país que Stefan conheceu.