O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 19/10/2021

Parafraseando Montesquieu, filósofo francês, “além de assistência médica, a saúde coletiva exige garantia de direitos, vontade pública e consciência cidadã”. Partindo dessa premissa, embora o estigma associado ao vírus HIV remeta à discriminação da sociedade, não se deve desprezar o papel relevante do engajamento coletivo. De fato, segundo a teoria Multicausal, esse assunto remete a uma série de circunstâncias sociais, padrões de conduta, e, sobretudo, consciência coletiva.

Apriori, na obra “Nascimento da Medicina Social”, Michael Focault, exalta as necessidades de se promover as condições objetivas de subsistência da sociedade". Para além da arte, diante desse preconceito do HIV, pode-se inferir a necessidade de se racionalizar em iniciativas que se restringem à divulgar novos investimentos em estratégias, sem prover os meios adequados para viabilizar um acesso democrático à assistência qualificada.  Por certo, vale salientar que, desde 1988, com a criação do SUS, o Brasil conta com um dos maiores sistemas públicos de saúde no mundo, mas ainda assim, não consegue suprir as demandas da população..

Além disso, mais do que medidas avulsas ou segmentadas, a infâmia da Aids requer atenção irrestrita e prioritária de todos os segmentos da sociedade. Nessa direção, em consonância com o Ministério da Saúde, faz-se necessário priorizar o investimento em medidas destinadas a firmar um pacto entre cidadãos, Estado e setor privado pela superação das inquidades, que ainda caracterizam a sociedade brasileira. Sem dúvida, em seu artigo 196, a Constiuição Federal define a saúde como direito de todos e dever do Estado, a ser garantido mediante políticas públicas equitativas e prioritárias.

Em suma, frente à complexidade dessa temática, torna-se decisivo instituir corresponsabilidades. Portanto, o Poder Executivo, por intermédio da revisão de políticas públicas, deve avalizar prerrogativas constitucionais para ampliar a eficácia na oferta dos serviços à Aids. Ademais, as instituições de ensino, através de uma ampla revisão curricular, devem socializar conceitos e debates socioantropológicos apurados, para incitar maior lucidez sobre o vírus do HIV. Afinal, do ponto de vista sociológico, essa temática se insere no âmbito das demandas cidadãs fundamentais, e, por consequente, exige atenção prioritária de toda a sociedade.