O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 19/10/2021
Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu uma crítica aos comportamentos egoístas e superficiais que caracterizam essa nação. Não longe da ficção, percebem-se aspectos semelhantes na questão do estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira. Nesse contexto, tornam-se evidentes, como causas, tanto a falta de debates quanto a lenta mudança na mentalidade social.
Em primeiro plano, evidencia-se que a falta de debates é um grande responsável pela perpetuação da problemática. No que tange o tema, Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem e o ato de debater é uma verdadeira forma de ação. Desse modo, para que a estigma em volta dos portadores de HIV no Brasil seja resolvida, faz-se necessário trazer a pauta o assunto, assim tirando seu silenciamento e podendo ter uma mudança efetiva nesse estigma social.
Outrora o HIV era visto como uma doença nojenta, onde seu portador era taxado com inúmeros preconceitos, por culpa da falta de conhecimento sobre o assunto na época e uma sociedade preconceituosa, essa mentalidade foi estabelecida na sociedade e mantida fortemente até os dias atuais. Conforme Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob está lógica, é percebível a influencia do pensamento social em relação ao estigma do HIV, uma vez que, as pessoas crescem inseridas em um contexto social intolerante e preconceituoso, a tendência é adotarem esse comportamento também, dificultando ainda mais sua solução.
Por tanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para resolver esse empasse social. Logo, é necessário que as prefeituras, em parceria com o governo do Estado, proporcionem a criação de oficinas educativas, a serem desenvolvidas nas semanas culturais dos colégios estaduais, por exemplo. Esses eventos podem ser organizados por meio de atividades práticas, como dramatização, dinâmicas e jogos, de modo a proporcionar a visualização do assunto, além de palestras de sociólogos que orientam sobre o HIV para os jovens e suas famílias, como embasamento cientifico, a fim de evitar a elucidação da população sobre o assunto e adiantar a mudança do pensamento social, para um pensamento sem estigmas quanto o HIV.