O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 22/10/2021

O livro “Depois daquela viagem” expõe a vida de uma jovem com AIDS nos anos 90, juntamente com as complicações causadas pela virose, além de uma série de preconceitos que passam a fazer parte da vida de uma soropositivo. Apesar dos avanços tecnológicos alcançados nas últimas décadas, o estigma associado ao HIV ainda persiste na sociedade brasileira. Isso ocorre ora em função da alta taxa de desinformação, ora pela ineficácia das políticas públicas até então adotadas. Assim cabe a análise acerca de causas, consequências e possível solução para a problemática.

Mormente, segundo Albert Einstein, é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito. Nesse âmbito, muitos preconceitos estão associados a AIDS, desde, erroneamente, responsabilizar e excluir o soropositivo até associar a virose a grupos sociais historicamente marginalizados e negligenciados na esfera política. Entretanto, é um problema facilmente solucionável com a educação efetiva sobre a doença, o conteúdo é tratado com estrema superficialidade no sistema escolar brasileiro permitindo que tais falácias continuem fazendo parte do senso comum. Portanto, é alarmante que algo facilmente resolvível continue sendo ignorado.

Outrossim, de acordo com o instituto brasileiro de geografia e estatística, apenas em 2019, 920 mil brasileiros viviam com HIV, com as tecnologias disponíveis no Sistema Unitário de Saúde brasileiro é preocupante que novos casos ainda estejam surgindo, provando a falta de controle da doença. A disponibilização de métodos anti-contraceptivos é indispensável, contudo, não é o suficiente para controlar a doença, garantir que portadores do vírus comecem e continuem o tratamento é essencial. Nesse sentido, é inadmissível que tal problema ainda persista em todo o território nacional.

Depreende-se, portanto, que, mais uma vez, se confirma a importância e necessidade da educação sexual no sistema educacional brasileiro. Deste modo, cabe ao Ministério da Educação a responsabilidade de garantir a educação sexual em colégios públicos, por meio de palestra e dinâmicas com os estudantes; além do mais, cabe ao Ministério da Saúde a formação de uma rede de apoio a portadores do vírus e suas famílias, ademais, o treinamento de profissionais especializados para lidar com os desafios no tratamento. Espera-se, com isso, garantir que jovens como a protagonista de “Depois daquela viagem” tenham acesso a tratamento e educação de qualidade.