O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 22/10/2021

Na série espanhola “Elite’’, é retratada a história de Marina, jovem rica e privilegiada, cuja família tenta esconder a qualquer custo que a filha é portadora do vírus HIV. Nesse sentido, a trama explora as dificuldades para enfrentar essa infecção envolta por inúmeros tabus. Hodiernamente, fora da ficção, muitos brasileiros, em razão da desinformação generalizada e do preconceito intencionado às pessoas portadoras do vírus, enfrentam, infelizmente, situação semelhante. Logo, são necessárias ações sociais e estatais na contenção dessa grave adversidade: a persistência do estigma associado ao HIV.

Em primeiro análise, é váildo ressalar que a desinformação acerca das formas de infecção e de transmissão do antígeno, adquirido -principalmente- por meio da relação sexual, favorece a exclusão e o isolamento das pessoas soropositivas. Nessa perspectiva, devido à escassez da divulgação de informações sobre a importância da identificação e do tratamento do HIV, há a relativização dos quadros clínicos das pessoas acometidas pelo vírus e, consequentemente, a institucionalização de mitos acerca da infecção. Sob esse viés, a escritora Simone de Beaouvoir institui o conceito de “Invisibilidade Social’’: processo de apagamento e de marginalização de determinados grupos excluídos decorrente, por exemplo, da desinformação generalizada. Dessa forma, o escasso acesso à informação representa a invisibilidade denunciada por Beaouvoir, haja vista que com a propagação de notícias falsas, como a transmissão via contato físico, os indivíduos soropositivos são excluídos socialmente.

Ademais, pode-se observar que o preconceito se mostra um grave problema no que tange à contenção do contágio do vírus, pois muitos portadores ficam receiosos de acreditar no diagnóstico e de contar para as famílias e os amigos, retardando e banalizando o tratamento. Segundo o filósofo Pierre Bourdieu, toda sociedade possui padrões impostos e reproduzidos entre as gerações, assim o preconceito crônico intencionado aos soropositivos, em função de sua principal forma de transmissão ser via sexual, cria esteriótipos negativos que permeiam por toda a sociedade. Destarte, são imperativas ações com o escopo de mitigar a propagação desses estriótipos e preconceitos.

Portanto, a fim de combater a desinformação generalizada sobre o HIV, urge que o Ministério da Saúde, responsável pela assistência à saúde dos brasileiros, invista, por intermédio da realização de campanhas publicitárias, na divulgação de notícias válidas acerca do vírus e suas formas de transmissão e tratamento. Somado a isso, compete as escolas e as famílias, instituições formadoras de opinião, a adoção de uma postura crítica em relação ao preconceito acerca dos soropositivos, ressaltando a importância da mobilização social na desconstrução do estigma assciado ao HIV. Somente assim, poder-se-á contribuir para que o drama narado em “Elite” seja, em breve, apenas ficção.