O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 20/10/2021
A série da Netflix “Sex education” introduz uma temática quanto ao mundo estigmatizado do sexo, abordando, também, as discriminações contra pessoas que contém alguma infecção sexualmente transmissível (IST) nos dias atuais. Fora da ficção, é notório que a obra possui, infelizmente, verossimilhança alta no que tange a uma questão muito importante na sociedade brasileira: o estigma associado ao vírus de HIV. Diante desse cenário, é imperativo que a inércia governamental e a falta de programas socioeducacionais são fatores que dão manutenção para problemática citada.
Nesse contexto, deve-se ter em mente que o governo federal, como maior órgão do país, tem a função de promover a mudança necessário no tema, conquanto, ele não a faz. De acordo com o Diário Oficial da União (DOU), o Ministério da Cidadania, o qual é responsável pelo desenvolvimento social da nação, sofreu neste ano um bloqueio de 700 milhões em sua verba, somatizando uma queda de quase 20% nos últimos anos. Nessa ótica, observa-se que o Estado brasileiro não engaja o quanto deveria em questões sociais, visto que não há perspectiva de recuperação da antiga verba para o combate destes problemas, o que condena, dessa forma, a perpetuação do estigma associado ao vírus da HIV. Em síntese, percebe-se que com a desvalorização queda da verba orçamentária do Ministério, poucos recursos sobram para combater as discriminações dessa IST, não permitindo o progresso na problemática.
Em paralelo a isso, deve-se ter claro que o tema só será resolvido caso haja programas sociais voltados a ele. Ademais, cabe ressaltar uma análise feita pelo site “Agência Brasil” afirma que uma a cada duas pessoas soropositivas já sofreram alguma discriminação, falta de respeito ou ataques verbais apenas por ter essa doença e explanar isso para pessoas mais próximas. Ainda assim, segundo a filósofa Hannah Arendt, o âmbito governamental guia o comportamento de sua população através de projetos e programas sociais. Desse modo, torna-se passível de compreensão que a tese da autora se aplica à atual conjuntura brasileira, haja vista que projetos socioeducacionais são os métodos necessários para suprimir o estigma relacionado a IST’s no país, pois, por intermédio deles, pessoas soropositivas sofreriam menos ataques apenas por serem portadoras de um vírus.
Destarte, em vista dos fatos supracitados, é notória a necessidade de intervenção. Logo, a fim de diminuir o estigma social relacionado ao vírus da HIV na sociedade brasileira, urge ao Ministério da Cidadania, com mais recursos da união, investir em programas sociais que visem educar e desmistificar as IST’s em circulação no país, por meio de propagandas em veículos de comunicação. Isso pode ocorrer, por exemplo, com a ajuda de profissionais da área biológica e pedagógica, instruindo melhor a população. Por fim, espera-se, também, que casos como o de “Sex education” deixem de existir.