O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 21/10/2021
De acordo com a filósofa Hannah Arendt, a essência dos Direitos Humanos é o direito a ter direitos. Contudo, no que diz respeito a qualidade de vida das pessoas vítimas dos estigmas associados ao vírus HIV na contemporaneidade, verifica-se que o pensamento de Arendt vai de encontro com a conjuntura, uma vez que esses indivíduos sofrem com, dentre outros, o preconceito e a marginalização, tendo, assim, seus direitos sociais negados. Nesse sentido, cabe analisar as principais causas desse problema: a mídia e as escolas.
Convém ressaltar, a princípio, que a negligência midiática no que tange a questão. Conforme o sociólogo Pierre Bourdieu, aquilo que foi criado para ser mecanismo de democracia não deve ser convertido em instrumento de opressão. Sob esse viés, devido a postura capitalista do universo midiático, o qual, almejando o lucro, opta por transmitir espetáculos que permita isso, por meio do aumento da audiência, como programas de fofoca e especulações, em especial sobre a vida de pessoas famosas, tal qual atrizes, cantores, entre outros, em detrimento de programas educativos que abordem acerca da temática do vírus HIV e suas formas de propagação e torne menos intensa a discriminação com a população soropositiva.
Além disso, vale analisar, também, a ineficácia educacional por parte das instituições escolares. Isto é, a preferência, por essas entidades, pelo método de ensino tradicional conteudista, o qual o educador Paulo Freire nomeou de “Educação Bancária”, em que o foco dos professores é apenas transmitir informações aos alunos e fazê-los memorizar assuntos e fórmulas, sem necessariamente ele ter compreendido o que lhe foi repassado, com o objetivo de cumprir o cronograma escolar no tempo predeterminado. Nesse contexto, o aluno que foi “doutrinado” dessa maneira pode propagar, por exemplo, informações errôneas a respeito do vírus HIV, como declarar que esse micro-organismo é propagado por contato físico, como abraços, uma vez que não teve uma plena educação sobre o assunto anteriormente.
Sendo assim, em virtude do que foi mencionado, medidas devem ser tomadas. Logo, a mídia deve, por meio de grandes emissoras de televisão e rádio, incluir na programação semanal mini programas para discorrer sobre a questão do HIV, sua forma de contágio e tratamento – um processo que permite que o indivíduo viva saudável e que a carga viral no organismo se aproxime de zero, se for devidamente tratado – que serão apresentados por profissionais da saúde e especialistas na área da microbiologia, a fim de que os estigmas associados a essa temática sejam atenuados.