O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil
Enviada em 29/10/2021
Na obra pré-modernista “Triste Fim do Policarpo Quaresma”, de Lima Barreto, o Major Quaresma, admirador das riquezas oriundas do país, acreditava que, se superados alguns desafios, o Brasil alcançaria o patamar de nação-desenvolvida. De literatura à realidade, contudo, ao observar o esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil, -ainda que seja uma questão de grande valor- percebe-se que esse assunto possui entraves para ser reverberado na comunidade. Nesse sentido, a fim de mitigar os males relacionados a essa problemática, é importante analisar a negligência estatal e a importância da educação para os atletas.
A priori, vale ressaltar o Pacto Social, do contratualista John Rawls, ao inferir que o Estado deve garantir os direitos imprescindíveis aos indivíduos, como o esporte. No entanto, é evidente que tal prerrogativa não se reverbera no Brasil, na qual por falta de incentivo governamental, muitos talentos são perdidos, a exemplo de Bianca Andrade, medalhista olímpica nos jogos de Tóquio, que quase foi um desses talentos perdidos, a mesma alegou que pensou muitas vezes em desistir, por questão de contusões e falta de incentivo financeiro, oque escancarou a fragilidade do país acerca desse âmbito. Assim, a ineficácia estatal fere os princípios propostos por Rawls e, ao mesmo tempo, dificulta a universalização do esporte para a população.
Outrossim, aluda-se ao pensamento de Paulo Freire, “se a educação não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Sob essa perspectiva, elucida-se a necessidade do conhecimento para a formação de um atleta, como ter a disciplina, aprender com os erros e ter espírito esportivo, aprendizados tais, que podem ser utilizados para a vida pessoal e profissional dos cidadãos, com esses fundamentos, o esporte poderá servir de inserção de pessoas no mercado de trabalho, tornando-os profissionais mais competitivos e disciplinados. Desse modo, não é inesperado que o Brasil, -apesar de almejar formar-se nação desenvolvida- persista em não valorizar a educação e o desporte de modo benevolente.
Dessarte, fica evidente que nem todos tem acesso ao esporte. Logo, cabe ao Ministério da Cidadania, -órgão responsável pelo sistema esportivo brasileiro- por meio de projetos, criar leis que visem a universalização desse bem, e ao Ministério da Educação, pelas mídias sociais, promover campanhas que ensinem os princípios básicos da disciplina no mesmo, com a finalidade de que as pessoas consigam utilizar desse meio para serem inclusas socialmente, aproveitando talentos e progredindo a sociedade. Em vista da concretização dessas ações, o Brasil se aproximará da idealização do Policarpo.