O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil
Enviada em 29/10/2021
Desde a conquista brasileira de sua primeira Copa do Mundo, em 1958, inúmeras histórias de meninos carentes que conquistaram o mundo contribuíram para a imagem do futebol como fator de inclusão social. Entretanto, sessenta anos após, o que ainda se constata no Brasil, de fato, é a subutilização do esporte como agente de inserção, reflexo do mau direcionamento dos investimentos estatais, aliado ao predomínio da espetacularização esportiva.
Em primeiro lugar, destaca-se a ineficiência do Estado no fomento às práticas esportivas, com investimentos pouco diversificados, que atingem uma minoria da população. A exemplo, os recursos destinados às realizações da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016 - R$ 66 bilhões no total -, cujas estruturas excepcionalmente servem aos brasileiros. Assim, observa-se a concentração das iniciativas nos grandes centros e em atividades de alto nível, o que exclui a maioria dos cidadãos.
Nesse contexto, diante da falta de incentivos adequados, emerge o esporte espetáculo, no qual os cidadãos são apenas público, e não participantes do processo. Consoante a teoria da Indústria Cultural da Escola de Frankfurt, de Adorno e Horkheimer, a atividade esportiva torna-se, lamentavelmente, um material de consumo massificado, repleta de mitos contemporâneos e sem a sua devida função social.
Infere-se, dessarte, que o esporte como fator de inclusão social no Brasil demanda ações urgentes. Para isso, cabe ao Ministério da Cidadania implementar planos nacionais para desenvolvimento dos esportes amador e recreativo, bem como realizar os investimentos básicos necessários às suas práticas. Outrossim, poderá ser criada uma agenda de eventos desportivos locais, em parceria com os estados e municípios, como forma de incentivo e divulgação. Assim, oportunidades efetivas de inclusão pelo esporte serão geradas, e o brasileiro poderá deixar de ser um mero telespectador.