O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil
Enviada em 25/10/2021
Em seu artigo 217, a Carta Magna brasileira assegura aos cidadãos o direito à práticas esportivas formais e não formais. Contudo, essa garantia se mostra fragilizada, haja vista a falta de iniciativas para tornar o esporte uma ferramenta inclusiva. Desse modo, a ausência de medidas governamentais e o pouco estímulo das escolas atuam como contribuintes dessa conjuntura negativa.
De início, vale destacar o pouco direcionamento de verbas por parte do Estado ao setor esportivo. Nesse sentido, o filósofo Jonh Rawls, em sua obra “Uma Teoria da Justiça”, afirma que um governo digno é aquele que disponibiliza finanças para todos os setores de forma igualitária. Entretanto, no Brasil, o pensamento do teórico não condiz com a realidade, uma vez que o Estado além de não destinar fundos monetários ao esporte, não desenvolve ações para construção de espaços esportivos públicos, dificultando a inclusão social por parte dessa ferramenta. Dessa forma, nota-se que as ausentes medidas governamentais afeta, principalmente, a população de baixa renda, visto que por não possuírem poder aquisitivo para frequentar clubes esportivos, acabam sendo excluídos de tais práticas. Assim, enquanto a máquina administrativa não elaborar ações efetivas, o esporte não será uma ferramenta inclusiva.
Ademais, é importante ressaltar que a atividade esportiva é pouco estimulada pelas instituições de ensino. Nessa perspectiva, assim como retratado no documentário “Muito Além do Peso”, o qual mostra a vida de crianças que têm educação física apenas de forma teórica, parte da população enfrenta esse desafio, uma vez que, muitas escolas não incentivam os alunos a praticarem modalidades esportivas. Em virtude disso, observa-se que estudantes com necessidades especiais são prejudicados, dado que o esporte tem papel fundamental em promover a socialização e aplicação de valores, sendo pouco estimulado na escola, esses alunos acabam tendo maior dificuldade em socializar e a inclusão desses indivíduos não ocorre como deveria.
Portanto, medidas são necessárias para mitigar tal problemática. Posto isso, o Ministério da Cidadania - órgão responsável pelas questões esportivas- deve, por meio de verbas governamentais, promover a construção de centros poliesportivos públicos em todas as regiões do país. Esses espaços deverão ser abertos todos os dias da semana para partidas das diversas modalidades esportivas, a fim de proporcionar a inclusão das classes menos favorecidas e reverter a pouca participação dos indivíduos ao esporte. Além disso, cabe a mídia informar acerca da necessidade das escolas trabalharem as atividades físicas de forma prática, com a intenção de utilizar o esporte como forma de interação social. Com esses feitos, será possível efetivar o direito descrito na Carta Magna.