O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 15/09/2021

No filme norte-americano Um sonho possível, retrata-se o esporte como meio de inclusão e transformação social. Nota-se que o apresentado na obra, hodiernamente, ainda é restrito no contexto nacional, haja vista que as práticas esportivas, apesar de sua significativa importância, são realizadas de forma diminuta. Tal imbróglio é chancelado pelas perniciosas ações do Estado e da sociedade.

Acerca do supradito, convém pontuar, de início, que os feitos governamentais, no que concerne ao insuficiente incentivo ao esporte, são lesivos para o pleno funcionamento do país. Paralelamente, conforme a obra O cidadão de papel, pertencente ao jornalista Gilberto Dimenstein, apesar da existência de um amplo aparato legal para a garantia dos direitos da sociedade, grande parte do proposto se restringe ao plano teórico. Sob o prisma do intelectual, percebe-se que, apesar da garantia constitucional do incentivo ao esporte, como expresso no artigo 227 da Carta Magna, a concretização do direito ainda é ínfima, tendo em vista a escassa aplicação de erários destinados às práticas desportivas, fator que torna mais dificultosa a adesão do corpo social ao esporte, diminuindo o potencial de inclusão proporcinado pela atividade. Assim, a inércia estatal quanto ao cumprimento da lei, compromete o bem-estar social pleno no Brasil.

Outrossim, é imperioso salientar que a apatia de parcela da sociedade brasileira mostra-se lesiva, pois ocorre a normalização do óbice. Analogamente, de acordo com a Teoria das Janelas Quebradas, proposta pela Escola de Chicago, um comportamento antissocial suscita outros comportamentos antissociais. Segundo esse viés, entende-se que, por ocorrer assiduamente no contexto nacional, o descrédito quanto ao esporte passou a ser naturalizado por parte do corpo cível, tornando mais remotas as chances de estímulo às atividades esportivas, haja vista que o desprestígio vigente não é criticado. Logo, a acriticidade do corpo social age como agravante da escassez de estímulos ao esporte, uma vez que, ao contribuir para a permanência das ações lesivas, dificulta sua correção.

Portanto, diante do discutido, cabe ao Estado, por meio de redirecionamento de verbas, ampliar os investimentos no âmbito esportivo brasileiro, em especial no setor educacional, pelo incremento das práticas de educação física, com o fito de cumprir os direitos constitucionais e de viabilizar maiores probabilidades de transformação pelo esporte. Concomitantemente, cabe à Mídia, mediante campanhas educativas, veiculadas na televisão e na internet, que incluam entrevistas com educadores físicos, elucidar a população brasileira sobre a importância das atividades esportivas no bem-estar da coletividade, gerando mudanças de comportamento. Por esses caminhos, tornar-se-á viável que o corpo cível nacional se aproxime do ideal de inclusão pelo esporte, como no filme Um sonho possível.