O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil
Enviada em 08/09/2021
Na história em quadrinhos americana “Liga da Justiça”, é retratada a vida do personagem Ciborgue, que graças ao seu desempenho no futebol americano consegue entrar na faculdade e sair de um estado de vulnerabilidade social e financeira. Fora da ficção, a vida imita a arte e faz-se reflexo na sociedade brasileira: o esporte é uma das portas de entrada para à ascensão e inclusão social. O Brasil, entretanto, não consegue estimular e desenvolver práticas esportivas entre a população. Nesse sentido, a omissão estatal e o sistema educacional antiquado são fatores que contribuem para a manutenção do óbice. Urge, destarte, que uma discussão sobre a importância do esporte para a sociedade seja feita para que um cenário negativo não mais seja realidade.
Mormente, a negligência do governo acerca as práticas esportivas é um sério entrave para o desenvolvimento dos esportes no Brasil. Nesse sentido, o Estado age como uma instituição Zumbi - termo posto por Zygmunt Bauman para instituições que mantêm sua forma, mas perde sua função - ao não investir no incentivo às práticas desportivas que trariam benefícios à coletividade. Nessa perspectiva, a quantidade irrisória de políticas econômicas e sociais para novos atletas, sobretudo de classes sociais vulneráveis, comprova essa atribuição negativa ao governo. É inquestionável, portanto, que a sociedade é lesada com esse comportamento da máquina pública.
Outrossim, o modelo educacional brasileiro arcaico e retrógrado é uma peça-chave do problema. Tal cenário reforça a ideia da teórica Maria Vera Candeau, que afirma que o sistema educacional atual está preso nos moldes do século XIX e não apresenta soluções efetivas para as inquietudes hodiernas. Sob essa ótica, pode-se afirmar que a maioria das instituições de ensino brasileiras, uma vez que são conteudistas, não fomentam, de maneira significativa, as atividades físicas entre os alunos. Nesse quadrante, é tomada dos alunos a oportunidade de desvencilhar-se de possíveis amarras socioeconômicas mediante o esporte. É negada, assim, a possibilidade de transformar e reeducar coletividades e indivíduos através do exercício físico.
Logo, percebe-se que a sociedade precisa ser instruída a respeito desses tópicos imprescindíveis para a formação dos indivíduos. Posto isso, cabe ao Ministério da Educação, promover a inserção massiva, mediante alterações na Base Comum Curricular, de práticas esportivas nas escolas, com professores capacitados, a fim de incentivar a formação de novos atletas. Ademais, deverá ser missão do Ministério da Cidadania, criar e ampliar as políticas sociais para esportistas, como bolsas e auxílios, mediante verbas governamentais, para não limitar essas práticas ao interior das escolas. Feito isso, poder-se-á observar a realidade vista em “Liga da Justiça” também fora dos quadrinhos.