O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 03/09/2021

A Constituição Federal de 1988 - norma de maior hierarquia do sistema jurídico brasileiro - assegura que é dever do Estado fomentar práticas desportivas em todo território nacional. No entanto, na conjuntura contemporânea, percebe-se que essa prerrogativa não é efetiva na prática, em decorrência da falta de iniciativas para que o esporte seja uma ferramenta de inclusão social. Nesse contexto, urge analisar como a negligência estatal e a inércia das escolas impulsionam tal problemática.

Convém ressaltar, a princípio, que a carência de incentivo ao esporte no Brasil está intrinsecamente relacionada à inobservância estatal. De acordo com uma pesquisa realizada pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, menos de 40% dos brasileiros costumam praticar algum tipo de esporte. Nesse viés, tal panorama ocorre, sobretudo, devido à mínima iniciativa do Estado em fomentar a prática de atividades esportivas no âmbito social. Desse modo, uma parcela da população, por falta de incentivo, não usufrui dos benefícios proporcionados pela execução de práticas desportivas, tais como aumento da autoconfiança e melhoramento da condição física e psíquica.

Outrossim, vale salientar que a inércia das instituições escolares dificulta a inclusão social das práticas esportivas. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em apenas 27% das cidades brasileiras as escolas têm campo de futebol, ginásio, piscina ou pista de atletismo. Nessa perspectiva, nota-se a ausência de infraestrutura nessas instituições, as quais, em sua maioria, omitem o incentivo a execução de atividades desportivas em detrimento da preparação dos discentes apenas para a realização de vestibulares. Dessa forma, a inação das escolas quanto ao estímulo as práticas esportivas , desde as séries iniciais, inviabiliza a transformação social através do esporte.

Infere-se, portanto, que é imprescindível adotar medidas para estimular a prática de esportes no âmbito social. Logo, cabe ao Ministério da Cidadania - órgão responsável pelas diretrizes do esporte - construir espaços esportivos adaptados , como quadras de basquete e volêi, os quais sejam distribuídos de maneira igualitária pelo território nacional, uma vez que milhares de cidades carecem de locais apropriados para a realização dessas atividades. Isso deve ser feito por meio de recursos liberados pelo Tribunal de Contas da União, com o fito de melhorar a qualidade de vida da população e proporcionar a inclusão social do esporte. Assim, tornar-se-á possível a construção de uma sociedade permeada pela efetivação dos elementos elencados na Magna Carta.